CGT ameça realizar primeira greve do governo De la Rúa
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por ARIEL PALACIOS, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 11 (AE) - A Confederação Geral do Trabalho (CGT) promete realizar uma marcha de protesto no dia 24, caso o governo não desista da reforma trabalhista. O protesto será na Plaza de Mayo, tradicional ponto de manifestações na frente da Casa Rosada, a sede do governo. A CGT calcula levar 50 mil manifestantes, e contará com a adesão da dissidente Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). Caso não seja possível um acordo entre sindicatos e o presidente Fernando De la Rúa, a CGT ameaça no dia seguinte paralisar o país em uma greve geral, a primeira do novo governo, que tomou posse em dezembro.
O anúncio do protesto foi feito pouco depois de que deputados da coalizão de governo Aliança UCR-Frepaso e do partido de oposição, o Partido Justicialista (também conhecido como "peronista") chegaram a um consenso sobre as leis da reforma trabalhista. Entre os principais pontos do polêmico pacote que foi acertado estão o período de experiência que nas grandes empresas será ampliado de um para três meses, e poderá ser ampliado por outro período similar. Nas pequenas e médias empresas o período de experiência será de seis meses, com a possibilidade de extendê-lo por outro semestre.
No entanto, o que mais incomoda a CGT é a descentralização das negociações: a partir da reforma, os comitês de trabalhadores das empresas prevalecerão sobre os sindicatos. Nas discussões poderão participar os sindicatos, mas no momento de decidir, somente terá validade a posição dos comitês. Além disso
a reforma trabalhista poderá ser o atestado de óbito para os atuais acordos coletivos, em vigor desde 1975. Estes acordos terão validade por mais dois anos, e somente poderão permanecer com a concordância dos sindicatos e empresas.
A CGT considera que a reforma trabalhista vai aumentar o desemprego e a instabilidade no trabalho, além de uma drástica redução do poder de negociação dos sindicatos. Hugo Moyano, que em março será empossado como novo secretário-.geral da CGT, alertou o governo De la Rúa a "não cometer os mesmos erros do ex-presidente Raúl Alfonsín", a quem a CGT preparou 13 greves gerais. Por ser do partido peronista, movimento onde o sindicalismo argentino possui sua base ideológica, o ex-presidente Carlos Menem foi poupado pelos sindicatos: em seu primeiro governo, somente enfrentou uma greve geral, e no segundo, passou por outras quatro. Moyano, presidente do sindicato dos caminhoneiros, é considerado um líder sindical combativo e persistente. Sua designação para comandar a CGT foi vista por analistas como um sinal que o convívio do governo De la Rúa com os sindicatos não será fácil.


