CGM atira em duas mulheres e é morto em tiroteio com a polícia
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 24 (AE) - O guarda metropolitano Teoprepedis Francisco Canabrava Neto, de 33 anos, foi morto ontem à noite por policiais militares depois de ter baleado as irmãs Eronice Gonçalves Raimundo, de 41 anos, e Luciene Gonçalves Cardoso, de 39, em Santo Amaro, zona sul, e roubado uma van. Atingida no pescoço, Eronice ficou paraplégica. Luciene recebeu um tiro no abdome, foi submetida a uma cirurgia e está fora de perigo. As irmãs estão internadas no Hospital Regional Sul.
O comandante da Guarda Civil Metropolitana, coronel Wagner Jorge Kourroski, disse ter ficado surpreso com o episódio. "O guarda Canabrava estava conosco havia oito anos. "Era ótimo funcionário, dedicado, eficiente e não bebia havia dois anos". Canabrava estava lotado na Inspetoria de Apoio ao Transporte Coletivo e pertencia a uma equipe de repressão a perueiros.
Ontem, por volta das 22h30, Eronice, ambulante no Largo 13 de Maio e mãe de uma menina de 3 anos, entrou no bar da Avenida Rio Branco com a Rua Amador Bueno, em Santo Amaro, acompanhada da irmã Luciene, que trabalha como empregada doméstica. Eronice foi ao banheiro. Luciene pediu um maço de cigarros ao balconista. As duas estavam voltando para casa, no Jardim Dom José, no Embu. Canabrava, sentado à uma mesa, segundo testemunhas, bebia cerveja e passou a fazer convites para a empregada doméstica.
Ao voltar, Eronice pediu ao guarda-civil para que deixasse a irmã em paz. As duas saíram e foram seguidas por ele. Na porta do bar, ele fez nova proposta "indecorosa", segundo testemunhas. As irmãs caminharam apressadamente na direção do ponto de ônibus. Aparentemente embriagado, Canabrava sacou do revólver e mandou que elas parassem. Em seguida, atirou. As irmãs caíram feridas, em frente do caixa eletrônico do Bradesco.
A atitude do guarda-civil revoltou as pessoas que estavam no bar e também as que se encontravam próximo de um ponto de peruas. Temendo ser linchado, Canabrava ameaçou matar o perueiro Marco Antônio Ferreira, de 24 anos, e roubou a Hiunday LBO-7224, saindo em alta velocidade. O guarda foi perseguido por policiais militares da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Os PMs foram acionados pelos perueiros.
A van parou ao chocar-se contra o muro da casa 456 da Rua Carlos Gomes. "Ele desceu atirando, um dos tiros acertou a lataria do nosso carro e no revide o acertamos", contou o soldado Pereira Silva. Brasão - Canabrava usou uma arma calibre 38, com o brasão da Guarda Civil Metropolitana gravado no cabo de madeira. Os militares só souberam que se tratava de um guarda-civil metropolitano a caminho do hospital, quando pegaram sua carteira funcional. Canabrava morreu a caminho do hospital. Até a noite de hoje, as duas irmãs permaneciam hospitalizadas.


