CFM disciplina uso de sangue de cordão umbilical em transplante
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sábado, 22 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 23 (AE) - Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgada na sexta-feira determina que amostras de sangue do cordão umbilical e da placenta, para uso em transplantes de medula, somente podem ser obtidas com autorização da mãe. A resolução também proíbe a venda do material. "É de natureza gratuita e voluntária", define o CFM, entre outras orientações éticas para o aproveitamento do cordão umbilical no transplante, uma técnica que o Brasil já adota.
O Instituto do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, colocará em funcionamento, nos próximos dois meses, o primeiro banco de sangue de cordão umbilical e de placenta na América Latina. A resolução do CFM prevê que a mãe aceite que a criança passe por exames nos primeiros três meses de vida para que seja descartada qualquer possibilidade de doença. Além da mãe, o médico e duas testemunhas assinam o termo de consentimento.
A resolução foi adotada para evitar riscos de uso indevido das placentas e do cordão umbilical. "Todos se lembram de quando o sangue era vendido no Brasil", justificou o vice-diretor do Centro de Transplante de Medula àssea do Inca, Luiz Fernando Bouzas. "Foi uma medida de precaução, para garantir a segurança e a idoneidade na aplicação desta nova técnica", confirma o conselheiro do CFM, Nei Moreira da Silva.
Aplicação - O transplante de medula é indicado para casos de câncer, como leucemia e linfoma. Há 30 anos o tratamento é feito com o doente recebendo células sadias retiradas da medula de doadores. Mas o uso do sangue do cordão umbilical vem tornando mais simples o procedimento. Por existir em quantidade, também aumenta as chances de obtenção de células compatíveis com as do receptor. "Não é necessária técnica muito refinada para coletar o sangue do cordão umbilical, que, em geral, é jogado fora", conta o vice-diretor do Centro de Transplantes do Inca.
Com a instalação do banco de sangue, o Inca quer coletar
em três anos, de 6 mil a 8 mil unidades, atendendo pessoas de todo o País que estejam ligadas a algum serviço vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS).


