O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou no início desta semana uma pesquisa com a avaliação dos brasileiros sobre o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), realizada em agosto pelo Instituto Datafolha. Segundo o levantamento, que entrevistou 2.069 pessoas nas diferentes regiões do País, 87% dos usuários avaliam o atendimento pelo SUS como péssimo, ruim ou regular, sendo que a desaprovação sobe para 93% quando a saúde no Brasil é analisada. Ao todo, apenas 13% dos entrevistados demostram satisfação com o atendimento público.
Questionado sobre as notas que atribuem ao SUS e à saúde brasileira, cerca de dois em cada dez brasileiros responderam "zero" para ambos. A saúde recebeu a menor nota da escala de 24% dos entrevistados, enquanto o SUS recebeu nota cinco de 19% e zero de 18% dos participantes da pesquisa.
Ainda de acordo com o levantamento, o atendimento nos postos de saúde e a distribuição gratuita de remédios são serviços que os usuários percebem ter maior facilidade de acesso. Por outro lado, relatam maior dificuldade para acessar consultas e cirurgias pelo SUS. Dos entrevistados, 29% declararam estar à espera de atendimento na rede pública. Deste grupo, 36% aguardavam para fazer consultas, 33% buscavam exames e 28% cirurgias. O volume de usuários que está na fila por uma resposta do SUS há mais de seis meses também subiu no último ano. O índice passou de 29%, em 2014, para 41% na pesquisa divulgada nesta semana.
O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) no Paraná, Luiz Pujol, defende que o SUS é o melhor sistema para a população, pois é financiado pelo próprio contribuinte, por meio dos impostos. No entanto, ele avalia que o serviço de qualidade não chega até o cidadão, já que o Brasil não investe pelo menos 10% do orçamento da União na saúde. "Nos últimos 12 anos, R$ 17 bilhões que eram da saúde não foram aplicados na área. Não é só a corrupção. O problema também é a má gestão, que precisa ser menos politizada e mais técnica e humanizada", comentou.
Para ele, o principal diagnóstico da pesquisa é que a saúde tem pouco recurso disponível e a quantidade existente não é investida no setor para um atendimento com mais qualidade no SUS, o que repercute no trabalho dos servidores. "O médico e outros profissionais estão na porta de entrada do SUS. Eles são o para-choque da insatisfação da população, que sofre com a longa espera por causa do baixo número de médicos que precisam atender um imenso número de usuários. Os profissionais são sobrecarregados e ganham baixos salários", afirmou Pujol. Por consulta, ele informou que os médicos recebem R$ 5,22 do SUS.
O presidente do CRM calcula que mais de 2 milhões de atendimento são realizados por mês no Paraná pelo SUS e que as queixas giram em torno dos 10% dos usuários. "Queremos um SUS sadio, que dê conta do recado. Gerenciado por técnicos, não por pessoas indicadas por políticos. Precisamos de gerenciamento, mais recursos e honestidade", acrescentou.

mockup