Cetesb espera análise de risco provocado por cal contaminada
São Paulo, 23 (AE) - Técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) devem receber na próxima semana uma análise dos riscos ao meio ambiente provocados pelo depósito de cal contaminada por dioxina da Solvay Indupa do Brasil S.A. Um milhão de toneladas do produto encontram-se armazenadas na empresa, na região do ABC paulista.
A cal da Solvay teve sua venda proibida em agosto do ano passado pela Cetesb, depois de se constatar a presença da dioxina, um subproduto químico cancerígeno. No último mês, a mesma substância provocou grande movimentação na Europa, com a notícia de que a carne de frango e ovos estavam contaminados.
Hoje o promotor de Justiça José Luiz Saikali visitou a empresa, acompanhado de técnicos. "Nossa maior preocupação é verificar se a presença do material contaminado na fábrica não oferece riscos à população do entorno e também a rios próximos"
afirmou o promotor. A visita durou cerca de cinco horas. O promotor saiu da visita com um arsenal de estudos e laudos preparados pela empresa sobre a segurança do depósito. "Ainda é cedo para concluir qualquer coisa", afirmou o promotor.
"Mostramos que estamos fazendo uma inspeção rígida para garantir a segurança do depósito", garantiu o gerente de Meio Ambiente da Solvay, Edilberto Bannwart. Segundo ele, o produto encontra-se em um dique de contenção. "Fazemos análises periódicas e não há riscos de que a cal contaminada passe para o meio ambiente", completou.
A Cetesb interditou a cal da Solvay depois de uma investigação para identificar as causas de contaminação por dioxina da polpa cítrica usada para fazer rações bovinas. A ração com dioxina foi vendida na Europa, provocando a contaminação do gado e do leite. Depois de estudos, verificou-se que a substância cancerígena estava na cal. No entanto, pesquisas mais específicas demonstraram que a dioxina presente na polpa cítrica usada na ração era diferente da encontrada nos depósitos da Solvay. "Não somos responsáveis pela contaminação do leite na Europa", garante Bannwart. A Cetesb confirma que a dioxina encontrada na polpa cítrica é diferente da detectada na cal da Solvay. "Mesmo assim, resolvemos interditar a venda do produto, pois existe contaminação", afirma o diretor de Controle de Poluição da Cetesb, Paulo Ferreira.
Interdição - Depois da interdição, a Cetesb passou a realizar visitas constantes à empresa. Além disso, a empresa comunicou ao Ministério da Agricultura o problema, para que fossem rastreados outros possíveis compradores da cal contaminada. Segundo a Cetesb, as principais compradoras do produto foram as empresas Carbotex e Minercal.
"Depois da notícia da contaminação, tomamos todas as providências necessárias para evitar casos semelhantes", afirmou Ézio Gomes da Mota, do Ministério da Agricultura. Segundo ele, depois de uma proibição temporária, a Europa voltou a comprar polpa cítrica do Brasil. Mota não soube informar se o setor de adubos - onde a cal também é usada - tomou as mesmas providências.
Até julho, a Cetesb deve terminar um estudo para saber qual o destino que será dado à cal da Solvay. "É preciso fazer uma análise detalhada, não podemos ser precipitados", afirmou Ferreira.





