Louveira, SP, 08 (AE) -Técnicos da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) recolheram hoje amostras de solo e da água de um córrego que corta a fazenda Conceição do Barroso, em Louveira, a 75 quilômetros de São Paulo. Há suspeitas de que a água esteja contaminada por agrotóxicos. Nos últimos meses, quatro cavalos da raça brasileiro de hipismo, criados na propriedade, morreram com sintomas de intoxicação depois de beber a água.
O veterinário da fazenda Roberto Foz Filho disse que os exames nos animais revelaram que as mortes foram causadas por hepatite e anemia. Segundo o administrador Lúcio Felippi, os cavalos chegaram a urinar sangue. "Tudo indica que houve intoxicação", disse o veterinário. Para evitar mais mortes, outros quatro cavalos da raça foram transferidos para outra propriedade.
A principal suspeita é de que a água do córrego tenha sido contaminada por agrotóxicos usados nas plantações de figo na divisa com a fazenda. Os produtores costumam pulverizar as plantas com a chamada calda bordalesa, composta por substâncias como cobre e zinco."Temos que verificar todas as hipóteses para tomarmos as providências mais adequadas", disse o veterinário.
Segundo os técnicos da Cetesb, serão feitas análises para verificar a presença de zinco, cobre e pesticidas na água e solo do córrego. O biólogo Renato Pizzi Rosseti, que coordenou a coleta das amostras, não descarta a hipótese de contaminação. Mas lembra que para provocar a morte de um animal do porte de um cavalo seria necessária uma concentração muito alta de veneno na água.
É a segunda vez que a Cetesb recolhe amostras do córrego para análise. Em setembro do ano passado, também foi recolhido material para exames, mas os resultados revelaram baixas concentrações de elementos tóxicos na água. Na época as lavouras de figo não estavam recebendo pulverização, o que motivou a volta dos técnicos à fazenda agora. Segundo Rossetti, o laudo da Cetesb deverá sair em trinta dias.

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