Cesta básica supera salário mínimo; dólar cai outra vez
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Denize Bacoccina e Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 07 (AE) - O preço da cesta básica do paulistano bateu outro recorde hoje, ultrapassando o salário mínimo pela primeira vez desde que passou a vigorar o valor de R$ 136,00. Os 70 itens da cesta passaram a custar R$ 136,06, ante R$ 135,83 ontem, um aumento de 0,17%. O valor apurado ontem é também o maior desde o início do Plano Real. A cesta é pesquisada diariamente pela Fundação Procon e Dieese nos supermercados de São Paulo.
Apesar da redução de 0,11% nos alimentos, o preço dos produtos de limpeza subiu 1,21% e os artigos de higiene pessoal, 1,26%. Nesta primeira semana de dezembro, a cesta acumula alta de 1,50% e, nos últimos 30 dias, de 4,18%. Quando o salário mínimo era de R$ 130,00, a cesta foi de R$ 130,83 no dia 1º de março.
"Historicamente a cesta sobe em dezembro, mas normalmente esse aumento ocorre mais no fim do mês", diz a técnica de Estudos e Pesquisas do Procon, Neide Ayoub. Nos últimos anos, a alta nos meses de dezembro foi de 3,66% em 95, de 2,02% em 96, de 4,08% em 97 e de 2,73% no ano passado. Em compensação, em janeiro o preço recuou de 95 a 97, mas continuou em alta em 98 e este ano.
Este mês, a alta dos alimentos é de 1,07%, enquanto os produtos de limpeza aumentaram 3,59% e os de higiene pessoal, 2 63%. "Não são apenas os produtos influenciados pela entressafra que estão subindo", diz Neide.
Dólar - O dólar caiu hoje pelo quinto dia útil consecutivo, fechando com desvalorização de 0,43%, em R$ 1,86. A última vez que a cotação da moeda alcançou esse nível foi em 9 de agosto.
Não houve necessidade de intervenção do Banco Central (BC) para garantir a queda da moeda, que no período da manhã chegou a se aproximar da marca de R$ 1,85.
De acordo com operadores, o fluxo positivo (saldo de entrada e saída) de dólares continua favorecendo o movimento do mercado cambial. Mas a decisão da autoridade monetária de fazer mais um leilão antecipado de dólares, para assegurar que não haja falta de moeda na virada do ano, foi decisiva para a queda da cotação.
O BC já assegurou um volume de US$ 800 milhões no primeiro leilão, mas a demanda do mercado foi maior, chegando perto de US$ 1,5 bilhão. Agora, o BC vai garantir outro lote de US$ 500 milhões nas mesmas condições, na sexta-feira, seguindo o modelo do leilão anterior. Ou seja, a liquidação financeira do leilão de compra ocorre no dia 29 de dezembro e do leilão de venda, dia 10 de janeiro.
Com isso, o dólar deve acentuar a tendência de queda, fato que está levando muitas instituições a reduzir ainda mais sua carteira em dólar. A perspectiva de desvalorização torna cara a manutenção da moeda americana na carteira dos bancos.


