Cesta básica do paulistano passa o salário mínimo pela 1ª vez
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 01 (AE) - A cesta básica do paulistano passou hoje, pela primeira vez, a custar mais do que o salário mínimo de R$ 130,00, vigente desde maio do ano passado. Com o aumento de 1,13% no fim-de-semana, a cesta passou a custar R$ 130,83 hoje.
A alta foi puxada pelo aumento de 2,74% no preço dos produtos de limpeza e de 1,78% nos produtos de higiene pesssoal. Os alimentos subiram menos - 0,86%, em média -, embora tenham um peso maior na composição da cesta.
O valor é recorde histórico. No início do Plano Real, em julho de 1994, a cesta custava R$ 106,95. O valor de hoje é 22 32% superior.
Em fevereiro, o aumento foi de 6,06%, mas a remarcação de preços no fim-de-semana indica que a alta ainda não acabou. "Quando a gente pensa que chegou no limite, aumenta de novo", diz a assistente da direção do Procon, Dinah Barreto.
Em convênio com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o Procon pesquisa os preços de 31 itens da cesta básica diariamente em 70 supermercados da capital paulista.
O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, já disse na semana passada que os preços continuariam subindo nos próximos 60 dias. Os supermercados ainda estão sendo pressionados por aumentos no atacado, explicou. Além disso, o varejo não repassou para os consumidores todo o aumento recebido nas tabelas dos fabricantes.
Consumidor - O ritmo de aumentos também depende da capacidade do mercado de absorver os novos preços. "O consumidor é o grande regulador do mercado, deixando de comprar produtos que subirem sem motivo", diz a técnica do Procon. Ela lembra da importância de comparar preços, pesquisar e substituir produtos e marcas para fugir de aumentos abusivos.
Desde que o governo fez a primeira modificação no câmbio
em 12 de janeiro, a cesta básica já subiu 7,5%. Os preços chegaram a cair na primeira semana, e depois começaram a subir lentamente na última semana de janeiro. Foi na virada do mês o primeiro salto, com a alta de 1,34% entre 29 de janeiro e primeiro de fevereiro.
A partir daí os preços seguiram uma tendência constante de alta e só recuaram em quatro dias de fevereiro, mas sempre após altas expressivas nos dias anteriores. Na semana passada, o preço da cesta chegou a cair na quarta e na quinta-feira, mas na sexta já voltou a subir.
Produtos - Alguns dos produtos que lideraram a lista de aumentos em fevereiro continuaram a subir no fim-de-semana. O queijo mussarela fatiado ficou 20,42% mais caro no mês passado e subiu mais 0,47% ontem. O pó de café, com alta de 16,29% em fevereiro, aumentou mais 1,95% hoje.
A farinha de trigo, cuja matéria-prima é importada, aumentou 15,8% em fevereiro e subiu mais 3% hoje. O macarrão com ovos, que também usa trigo na sua composição, subiu 12,7% em fevereiro, mas ficou estável hoje.
As carnes e derivados também continuam subindo. A carne bovina de primeira subiu 1,89% e a de segunda aumentou 2,24% no fim-de-semana. A salsicha subiu 4,76%, depois da alta de 11,11% no mês passado.
Os produtos de higiene e limpeza tiveram altas expressivas hoje. O sabão em pó aumentou 4,8%, o papel higiênico subiu 4,55% e o absorvente aumentou 3,67%.


