Cesta básica bate segundo recorde consecutivo
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 02 (AE) - Pelo segundo dia consecutivo, o custo da cesta básica pesquisada pela Fundação Procon na cidade de São Paulo em 70 supermercados bateu um novo recorde desde o início do Plano Real. A cesta básica ontem estava cotada a R$ 135,60, com alta de 0,65% em relação ao dia anterior. A diferença entre o custo da cesta básica e o salário mínimo é de apenas R$ 0,40.
Neste mês a cesta básica já subiu 1,16%, que é uma variação considerada elevada para um curto período. Segundo a técnica de Estudos e Pesquisas do Procon, Neide Ayoub, a persistência do recorde por dois dias consecutivos se deve ao pagamento da primeira parcela do 13º salário no dia 30 de novembro. "Existe um situação nova, atípica", diz a especialista, destacando que, normalmente, no dia seguinte a um recorde, os preços da cesta costumam recuar.
O período de entressafra dos alimentos, que começou a puxar a cotação da cesta em setembro, está terminando e o preço da carne começa a cair, observa Neide. O custo da cesta básica, na sua avaliação, estaria sendo impulsionado pela maior disponibilidade de dinheiro na economia. A oferta abundante de recursos estaria criando oportunidade para que a alta de custos acumulada desde janeiro, com a desvalorização, seja repassada para o consumidor. "Eu não vejo outra explicação."
Existe mais um argumento que reforça a influência do 13º salário nos preços. O grupo de produtos da cesta básica que registrou a maior alta foi o de artigos de limpeza, que ficou 2 38% mais caro. Os produtos de higiene tiveram variação diária de 1,26% e os alimentos, que são mais afetados pela entressafra - quando a oferta diminui -, foram os que menos subiram, 0,33% na quinta-feira.
Neide pondera, no entanto, que a escassez de milho está influenciando os preços do frango, da salsicha e da linguiça. Esses três produto acumulam alta de 1,90%, 4,33% e 4,32%, respectivamente neste mês.


