Cesp enche lago em Porto Primavera
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quinta-feira, 26 de novembro de 1998
Agência Folha 
A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) iniciou ontem a formação do lago da usina hidrelétrica de Porto Primavera, no rio Paraná, maior obra em andamento no país, que custou R$ 8 bilhões e se arrasta há 18 anos. O nível do rio Paraná deve subir 30 cm por dia, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em um mês, o rio vai formar um lago de 1.460 km2 - o equivalente a quase 200 mil campos de futebol -, metade da área total da usina.
Quando estiver pronta, Porto Primavera vai cobrir 2.250 km2, onde caberia um país como Luxemburgo. O fechamento das comportas só foi possível graças a um acordo firmado entre a Cesp e o governador eleito do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. O acordo fez com que o petista desistisse da liminar que havia obtido na Justiça de Bataguassu (a 336 km de Campo Grande), no último dia 9, que impedia o início da operação.
Zeca, que abriu a ação antes das eleições, questionava o aspecto legal do acordo assinado em abril último entre Cesp, governo do Estado e Ministério Público. Pelo acordo, o Ministério Público aceitou desistir de 27 ações civis que estavam em andamento nas comarcas dos municípios que serão atingidos pela inundação. Os promotores abriram as ações pedindo reparação pelos danos ambientais, como a perda da vegetação nativa e de uma grande jazida de argila, alteração climática e a morte de animais silvestres, entre outras consequências.
Segundo a Cesp, três das 18 turbinas devem entrar em operação em janeiro, com uma produção de energia suficiente para atender 750 mil pessoas. Uma equipe de 200 pessoas, com barcos, aviões e helicópteros, está desde ontem percorrendo a área que começou a ser alagada, para resgatar animais ilhados pela inundação. Porto Primavera é criticada pelos ambientalistas devido ao impacto provocado na região, pois a área alagada é habitat natural de 12 animais ameaçados de extinção, além de flora e fauna ainda não pesquisadas.


