Cesp diz que escassez de peixes é mais antiga
O diretor de meio ambiente da Cesp, Daniel Salati, 56 anos, disse que a escassez de peixes no Rio Paraná decorre de anos de ocupação irregular na região. Não discordo que as hidrelétricas tenham influência sobre a situação do rio, mas estão longe de serem as maiores responsáveis, disse Salati. Segundo ele, a conclusão da obra vai acabar com a angústia de centenas de famílias. Ele acredita que o principal problema trazido pela demora da obra foi social.
Salati disse que o desmatamento das matas ciliares e o despejo de esgoto nos principais afluentes são os fatores (alheios à usina, segundo ele) que mais comprometem o rio. Já na década de 70 os pescadores reclamavam da falta de peixes no Rio Paraná.
Para Salati, é possível recuperar o rio com uma série de ações que a Cesp pretende executar. Recuperada, a lagoa que será formada pela hidrelétrica pode se tornar até um ponto turístico, prevê. O diretor da Cesp informou ainda que a empresa está adquirindo uma fazenda de 10 mil hectares, do Grupo Cisalpina em Brasilândia (MS), para servir de refúgio de animais.
O presidente da Cesp, Andrea Matarazzo, 40 anos, disse que é um compromisso da empresa a realização de obras de compensação e mitigação dos danos causados pela Hidrelétrica Porto Primavera previstos no Estudo de Impacto Ambiental e seu Relatório (EIA/Rima).
Para o presidente da Cesp, o desastre maior da usina foi ter se arrastado por 17 anos por falta de dinheiro para sua conclusão. Por conta do tamanho dos danos ambientais, Matarazzo admite que hoje dificilmente uma obra semelhante seria iniciada, mas ele a considera vital para o abastecimento de energia elétrica das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.





