O diretor de Geração e Transmissão de Energia da Cesp em São Paulo, Reinaldo José Rodrigues de Campos, confirmou no início da noite de ontem que a origem do blecaute se deu na subestação de Bauru. Segundo o diretor, foi um ‘‘acidente inevitável’’. ‘‘Não existe culpa de ninguém. Isso já ocorreu em outros países como os Estados Unidos e Canadá. Não é comum acontecer. O último desse porte foi em 1985’’, afirmou.
Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp de Bauru, duas linhas de chuva circundaram a cidade anteontem à noite, com fortes descargas de raios. O instituto, no entanto, não tem condições de atestar se raios caíram exatamente na subestação da Cesp.
O diretor da Cesp afirmou que ocorreram descargas elétricas na linha Assis-Bauru. ‘‘No instante que isso ocorre acontece um afundamento de tensão, ou seja, cai a voltagem. Aí começaram a ocorrer os problemas’’, disse Campos. Segundo ele, o primeiro reflexo da queda de voltagem se deu no extremo sul do país, com desligamento de consumidores. ‘‘Isso acabou agravando as condições do sistema interligado. Em decorrência, houve uma oscilação muito grande no sistema, que ficou instável.’’ A consequência natural, segundo o diretor, foi o desligamento das linhas de Itaipu. ‘‘Aí acabou perdendo 10.500 MW que estavam sendo gerados em Itaipu. Foi uma oscilação muito forte, característica de um evento que não é causado por um único fator.’’
O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, não afastou ontem a possibilidade de repetição do blecaute. ‘‘Risco de apagão existe permanentemente em qualquer sistema deste porte’’, afirmou Sampaio.
Segundo o presidente da Eletrobrás, no momento em que ocorreu o blecaute foram cortados o equivalente 22 mil megawatts, ou 34% da capacidade de geração de energia do País. A ocorrência começou com os desligamentos das linhas de transmissão entre Foz do Iguaçu e Ibiúna (SP) e Foz do Iguaçu/Ivaiporã (PR)/Tijuco Preto (SP). A partir daí o desligamento se estendeu pelas linhas de transmissão das regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste e pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), por Furnas e por Angra I.
Logo cedo, o ministério já havia descartado a hipótese de sabotagem nas linhas de transmissão, como ocorreu em setembro passado, quando explodiram duas bombas entre Foz do Iguaçu e Ivaiporã. ‘‘Se houvesse sabotagem teriam sido destruídas uma ou duas torres’’, disse o ministro Rodolpho Tourinho. ‘‘Isto não ocorreu porque o sistema voltou a funcionar normalmente.’’
A demora do pessoal de Furnas Centrais Elétricas em procurar falhas no sistema, a partir das 22h30 de anteontem, se deu pela ausência de informações. Nas cidades onde estão as principais subestações de Furnas no Paraná, Foz do Iguaçu e Ivaiporã, não houve queda no fornecimento de energia elétrica. Isso fez com que as equipes de plantão acionassem o pessoal de retaguarda (funcionários em folga, que estão preparados para situações de emergência) somente depois de avisados pelos operadores de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Essa situação causou nervosismo principalmente na subestação de Furnas em Foz do Iguaçu. A Binacional Itaipu, geradora de energia em Foz, foi acionada por volta das 23 horas pelos plantonistas de Furnas. Até a 0h30 de ontem, nenhum problema havia sido detectado pela geradora. Funcionários da subestação de Ivaiporã foram acionados às 22h50. Até as 23h45 todas as linhas de transmissão (nos sistemas alternado e contínuo) de Foz do Iguaçu a Tijuco Preto e Ibiúna, no Estado de São Paulo, haviam sido checadas. De acordo com José Maurício Zaroni, diretor de produção de Furnas no Paraná, nenhum problema havia sido encontrado.
Agência EstadoO sistema todo interligado. Em amarelo, a linha Foz do Iguaçu/Ivaiporã (PR) e Tijuco Preto (SP)

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