RIO - A Fundação Cesgranrio não pretende responsabilizar os 77 candidatos ao vestibular unificado do Rio que participaram de fraude nas provas utilizando relógios digitais. O advogado Clóvis Sahyone, que defende a Cesgranrio, disse ontem que o interesse da fundação é processar a quadrilha que forneceu os relógios aos candidatos, a preços entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Ele negou que os 77 fraudadores, eliminados do concurso, serão indiciados por formação de quadrilha. ‘‘Isto só acontece quando uma pessoa comete pelo menos dois crimes e os estudantes só cometeram crime de fraude’’, declarou Sahyone.
Quanto aos ‘‘quadrilheiros’’, o advogado explicou que eles vão ser denunciados por fraude e crime de descaminho ou contrabando. ‘‘Neste caso, uma vez identificados, eles responderão por formação de quadrilha’’. Sahyone vai apresentar queixa-crime contra os ‘‘quadrilheiros’’ amanhã, na Delegacia de Defraudações do Rio. ‘‘Este tipo de atitude desestimula os estudantes que se preparam durante meses ou anos para prestar o concurso e põe em descrédito o vestibular’’, disse Sahyone.
Os relógios utilizados pelos fraudadores recebiam respostas das provas através de transmissores de dados. A polícia apreendeu 58 relógios em duas universidades cariocas. ‘‘Nunca vi algo tão sofisticado, tão científico, os relógios tinham até antena’’, comentou o advogado.

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