Cesgranrio não responsabilizará alunos por fraude
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 1996
Silvio Barsetti<br>Agência Estado 
RIO - A Fundação Cesgranrio não pretende responsabilizar os 77 candidatos ao vestibular unificado do Rio que participaram de fraude nas provas utilizando relógios digitais. O advogado Clóvis Sahyone, que defende a Cesgranrio, disse ontem que o interesse da fundação é processar a quadrilha que forneceu os relógios aos candidatos, a preços entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Ele negou que os 77 fraudadores, eliminados do concurso, serão indiciados por formação de quadrilha. Isto só acontece quando uma pessoa comete pelo menos dois crimes e os estudantes só cometeram crime de fraude, declarou Sahyone.
Quanto aos quadrilheiros, o advogado explicou que eles vão ser denunciados por fraude e crime de descaminho ou contrabando. Neste caso, uma vez identificados, eles responderão por formação de quadrilha. Sahyone vai apresentar queixa-crime contra os quadrilheiros amanhã, na Delegacia de Defraudações do Rio. Este tipo de atitude desestimula os estudantes que se preparam durante meses ou anos para prestar o concurso e põe em descrédito o vestibular, disse Sahyone.
Os relógios utilizados pelos fraudadores recebiam respostas das provas através de transmissores de dados. A polícia apreendeu 58 relógios em duas universidades cariocas. Nunca vi algo tão sofisticado, tão científico, os relógios tinham até antena, comentou o advogado.


