Cesarianas são 70% dos partos
O elevado índice de cesarianas e o uso inadequado da ultrassonagrafia para acompanhamento da idade gestacional são algumas das principais causas da mortalidade materno-infantil. Segundo a médica da 15ª Regional de Saúde, Norico Miyagui Misuta, o desempenho em vários empregos impede que o médico se dedique ao parto normal e opte pela cirurgia com data e hora marcadas. Além disso, o uso do ultrassom está sendo substituído pela trabalho clínico.
Norico explica que a ultrassonografia pode dar uma margem de erro de até quatro semanas na idade da gestação. Por causa disso, muitos bebês nascem prematuros, sujeitos principalmente a problemas respiratórios que levam à morte. ‘‘O trabalho de parto nunca pode ser presumido, mas hoje em dia o nascimento da criança é programado com antecedência e baseado no ultrassom, provocando a prematuridade’’, argumenta a médica.
Ela diz que não há profissional nos hospitais públicos disponível para acompanhar um parto normal que leva em média de 12 a 15 horas. O problema poderia ser solucionado caso o Sistema Único de Saúde (SUS) liberasse o pagamento de enfermeiras obstetras.
De acordo com a médica, para obter com fidelidade a idade gestacional e verificar o dia provável do nascimento são necessários confrontar a data da última menstruação com um exame de ultrassonografia no início da gravidez. ‘‘Já vi caso em que a mulher não tinha nenhum exame pré-natal, mas estava sendo acompanhada com ultrassom’’, diz Norico.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável o índice de 15% de cesáreas, em Maringá as estatísticas ultrapassam 70%. Segundo a médica, o índice de cesarianas em hospitais da cidade chega a 90%. Norico alerta que o parto cirúrgico pode causar diversos problemas principalmente por causa da anestesia. ‘‘A substância pode afetar o estímulo da respiração do bebê e provocar problemas inclusive de paralisia cerebral’’, esclarece Norico. (M.M)

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