Cesáreas chegam a 80% dos partos
Enquanto a Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina, manteve nos últimos anos a média de 72% de partos naturais, nos maiores hospitais da cidade que atendem somente por planos de saúde a realidade é bem diferente. As cesarianas, muitas delas agendadas com antecedência, são maioria.
No Materdei, que integra a rede da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), entre os anos de 2006 e 2010 foram realizados 2.068 partos. Destes, 1.485 (72%) foram por meio de cesárea. Os partos naturais, neste período, ficaram em 583 (28%). O ano em que houve a maior porcentagem de cesarianas foi 2010: 217 cirurgias (80%) para 54 partos naturais (20%).
No Hospital Universitário (HU) de Londrina, no mesmo período, foram realizados 1.493 partos naturais (33,6%) e 2.939 cesáreas (66,3%), totalizando 4.432. A instituição é especializada em atendimento a gestantes de alto risco e realiza apenas partos referenciados.
Já no Hospital Evangélico (HE), instituição que atende convênios e SUS (partos de alto risco), foram realizados, de 2006 a 2010, 6.542 partos. Destes, 5.632 (86%) foram cesáreas e 910 (14%), partos normais.
A quantidade de cesáreas realizadas hoje no País e a aparente ''praticidade'' deste tipo de parto está provocando mudanças culturais entre as brasileiras, que passaram a enxergar a cesariana como regra, e não exceção (ela deveria ser realizada apenas em casos específicos, para salvar vidas). Além disso, os mitos em torno do parto normal assustam muitas parturientes.
Na última quarta-feira, a esteticista Josimara Lanholas Braga aguardava para ser examinada na Maternidade Municipal de Londrina. Com 33 semanas de gestação, ela estava certa de que, como o seu primeiro filho nasceu por meio de cesárea, há sete anos, o parto normal estaria descartado dessa vez. Josimara surpreendeu-se ao ouvir da coordenadora de enfermagem Regina Adário que, depois de tanto tempo, não há empecilho para o nascimento por vias naturais. ''Da primeira vez eu queria muito parto natural, mas não tive dilatação suficiente. Achei que dessa vez não adiantaria tentar, mas se tiver possibilidade, quem sabe?'', disse Josimara, já começando a aceitar a ideia.
Segundo a coordenadora de enfermagem da Maternidade, o parto normal após a cesárea só não é recomendado em um período inferior a dois anos, pelo risco de lesão no local da incisão. (S.L.)





