Agência Folha
De Campo Grande
Uma equipe de técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul localizou nove cervos-do-pantanal mortos no município de Anaurilândia (MS), à beira do reservatório formado pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para o funcionamento da Hidrelétrica Sérgio Motta (ex-Porto Primavera).
Dos nove cervos, oito teriam morrido num período máximo de 60 dias. O nono animal, uma fêmea, foi avistado vivo e extremamente magro, no sábado, mas achado morto um dia depois.
A necrópsia revelou que o animal estava se alimentando de braquiária. Os cervos normalmente se alimentam de plantas naturais de áreas de várzea. As várzeas, agora, foram encobertas pela inundação provocada pela Cesp. Segundo o relatório técnico, a fêmea morta estava ‘‘sem nenhum suprimento de gordura’’. ‘‘Os animais estão morrendo de fome’’, disse o superintendente de Meio Ambiente do Estado, Hélvio Rech, que encaminhou relatório aos Ministérios Públicos estadual e federal, pedindo providências contra a Cesp. Segundo ele, o cervo-do-pantanal está na lista do Ibama dos animais em extinção.
Em toda a área inundada, cerca de 220 mil hectares, viveriam antes da inundação aproximadamente 800 cervos, segundo uma estimativa da Cesp. As mortes confirmam os prognósticos de ambientalistas, de que a inundação, ao alterar o ecossistema do entorno do rio Paraná. Também foram encontrados tamanduás e tatus mortos.
A assessoria de imprensa da Cesp em Porto Primavera informou que a empresa considera ‘‘isolado o caso em Anaurilândia. Segundo a assessoria, o programa de acompanhamento dos cervos foi desenvolvido e aplicado pelos ‘‘maiores especialistas do assunto no país.
A assessoria informou que esses especialistas haviam previsto uma taxa de 50% de mortalidade dos cervos na fase de fuga dos animais para áreas mais secas, mas somente cinco teriam morrido nesse período. Não foi informada estimativa de mortalidade para o período posterior ao alagamento.

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