Cerveja preta não aumenta o leite
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sábado, 21 de setembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - A abstinência de bebidas alcoólicas deve ser levada a sério também pelas mulheres que estão amamentando. O álcool pode passar para o bebê por meio do leite materno e causar, entre outros sintomas, sonolência e falta de apetite.
Portanto esqueça aquela história de que cerveja preta aumenta a produção de leite. ''É puro mito. Não há evidência científica nenhuma de que a cerveja preta ou vinho do Porto ou qualquer outra bebida ou comida aumentem a produção do leite'', afirma a enfermeira Márcia Regina da Silva, 32 anos, coordenadora do grupo de gestação e amamentação do Hospital São Luiz, em São Paulo.
Segundo ela, o maior estímulo para a produção do leite é a sucção do bebê. Quando o recém-nascido está mamando, há liberação de hormônios, que são responsáveis pela produção e saída do leite.
Márcia diz que essas idéias equivocadas passam de geração para geração e é difícil tirá-las da cabeça das mães.
''Cada indivíduo é um indivíduo, não dá para generalizar. O suposto bom resultado da cerveja preta é puramente psicológico'', afirma.
Márcia diz que, na escala de dúvidas das gestantes e das lactantes, a ingestão de álcool aparece em terceiro lugar, perdendo para questões sobre alimentação e fumo.
Entre as lactantes, são poucas as que se convencem do mal que pode representar a cerveja preta.
Segundo o clínico-geral Maurício Gattaz, 45 anos, coordenador da emergência clínica do Hospital das Clínicas de São Paulo, assim como no caso do fígado dos fetos, o do recém-nascido é incapaz de metabolizar o álcool na mesma velocidade do da mãe. ''O que, para a mãe, é uma taça de vinho, para o bebê, é uma tremenda bebedeira'', afirma Gattaz.


