Certificado ambiental será exigência cada vez maior Irany Tereza e Maria Fernanda Delmas
Rio, 01 (AE) - A propriedade de certificado ambiental será uma exigência cada vez mais presente no mercado globalizado e o Brasil, como a maior parte dos países em desenvolvimento, ainda está longe de ter uma indústria dentro dos padrões de crescimento sustentável. Esta foi uma das principais conclusões do encontro que reuniu representantes de 30 países do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável das Empresas. O chamado "selo-verde", que se tornou quase uma obrigatoriedade no comércio entre países, não é visto pelo presidente do Conselho, Bjrn Stigson como mais uma barreira não-tarifária dos países desenvolvidos.
"O que desejamos são mercados globais e abertos a não criação de barreiras comerciais", disse Stigson hoje, depois da solenidade de abertura do encontro, que termina amanhã, no Rio. Ele descarta a padronização das legislações ambientais dos diversos países e elogia as exigências legais dos mercados emergentes. "Os países em desenvolvimento têm, em geral, uma legislação muito elaborada", afirmou. "O que não é levado a sério é seu cumprimento." E concluiu: "Alguns dos problemas são mesmo de corrupção." O presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Felix Bulhões, afirmou que é preciso estabelecer uma agenda mínima de procedimentos para as companhias nacionais se adequarem às exigências da globalização. Três empresas brasileiras são representadas entre os 120 membros do Conselho Mundial: a Cia Vale do Rio Doce, a Aracruz Celulose e a White Martins. Na opinião de Stigson, o acompanhamento das três mostra que o padrão de proteção ambiental é "muito alto".
O presidente da Vale, Jorio Dauster, afirmou que a empresa está gastando US$ 120 milhões em despesas com meio ambiente, entre 1995 e 2000. "E não há problema em solicitar ajuda estrangeira para projetos ambientais, desde que ela venha imbuída de honestidade", completou.
Segundo Dauster, vai longe o tempo em que os empresários eram indiferentes às questões ambientais. "Das 500 maiores empresas no Brasil, não há uma que não tenha programas de proteção ao meio ambiente", completou.
Bulhões lembra, porém, que o Brasil ainda é o 79º colocado no ranking do desenvolvimento sustentável. Ele diz que a situação tem melhorado e cita como exemplo o caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que já foi considerada de péssimo nível neste aspecto. "Ainda temos muito a ser feito", diz o empresário, lembrando que a responsabilidade não é apenas do governo, mas principalmente do setor produtivo. Na área de governo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incorpora os controles do meio ambiente em suas análises de financiamento. "Fazemos isso há 20 anos e este é um dos itens fundamentais para aprovação dos projetos", disse o presidente do banco, Andrea Calabi.





