Cerrado corre sério risco de extinção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Agência Estado 
A vegetação de cerrado, que vem sendo castigada por grandes incêndios nos últimos meses, corre sérios riscos de ser extinta. Ela representa a segunda maior conformação vegetal existente no território nacional e está presente em 13 Estados brasileiros. Um estudo inédito, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela que 65% da área coberta por essa formação já sofreu mudanças provocadas pela ação humana. O cerrado está muito mais ameaçado que a Amazônia e a mata atlântica, observou um dos autores do projeto, Alfredo Pereira.
O levantamento, desenvolvido pelos pesquisadores José Eduardo Mantovani e Pereira, conseguiu definir um quadro mais preciso sobre a situação do cerrado, que cobre cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados do País. Foram utilizadas imagens do satélite de sensoriamento remoto Landsat feitas no período de 1992 e 93. Nos próximos anos, este trabalho será feito com dados mais atuais e deverá tornar-se mais sistematizado e preciso, como no Projeto de Desflorestamento (Prodes), que analisa a Amazônia.
Os resultados demonstraram que os efeitos da devastação antrópica no cerrado são dramáticos. A expansão das fronteiras agrícola e pecuária têm avançado sobre regiões preservadas e comprometido outras irremediavelmente. O estudo mostrou que 30% da cobertura vegetal existente já se encontram ocupadas e degradadas. Os locais mais afetados estão nos Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.
A situação fica ainda mais grave se comparada com o desmatamento na Amazônia brasileira, com cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados, que é de 13% e consegue ter projetos especiais para sua recuperação. O cientista Pereira adverte que o cerrado nunca esteve entre as prioridades nas ações de preservação ambiental. Por isso, apenas 1% da mata de cerrado é protegida por se encontrar dentro de parques e reservas.
As áreas com presença do homem, porém, sem grande alteração em seu perfil ambiental corresponde a 35% do cerrado. Para os cientistas, essa faixa tem também um alto potencial para ser degradado. As queimadas estão tornando-se mais frequentes com o aumento das pastagens implantadas. Até a década de 70, a limpeza dos pastos com fogo acontecia em períodos de três anos. Atualmente esse tempo vem sendo diminuído e os incêndios são promovidos a cada ano.


