Cerrado abriga rico ecossistema
Cerrado abriga rico ecossistema
Os cerrados brasileiros cobrem cerca de 25% do território nacional e têm sua maior expressão na região Centro-Oeste. Ocorrem também no interior de São Paulo e do Paraná e em algumas áreas do Pará, Amazonas, Roraima e Amapá. Durante séculos foram considerados ecossistemas pobres, dado o contraste de sua vegetação aberta, com árvores esparsas e de menor porte, com a exuberância das florestas pluviais (Amazônia e Mata Atlântica). As pesquisas biológicas desmentiram, entretanto, essa impressão errônea e provaram que a vegetação aberta, na verdade, abrigava uma megadiversidade de espécies.
Por enquanto já foram identificadas mais de 6 mil espécies de árvores, 800 espécies de aves, 780 de peixes, 195 de mamíferos, 180 de répteis e 113 de anfíbios, apenas nos cerrados. Somente três classes de borboletas, vespas, formigas e cupins têm mais de 14 mil espécies vivendo neste bioma. Na região de Brasília, existem 800 espécies de abelhas, metade das quais endêmicas, isto é, ocorrem apenas nos cerrados. O alto grau de endemismo, por sinal, é uma das características desse bioma. Estimativas apontam 40% das árvores, 28% dos anfíbios e 11% dos répteis como endêmicos.
Isso torna os cerrados extremamente frágeis diante do atual processo de fragmentação, pois à medida que a vegetação nativa vai sendo substituída pela agropecuária, perde-se riqueza biológica. Daí a grande importância de se adotar uma política oficial de conservação concatenada com o conhecimento científico de modo a minimizar tais perdas e aumentar as chances de contato entre as espécies ilhadas nos remanescentes de cerrado intacto.
A influência dos cerrados também se estende aos rios do Pantanal mato-grossense, que nascem no planalto para depois obrigar as espécies pantaneiras a uma dinâmica ecológica própria, altamente vinculada ao fluxo das águas. Por isso, a definição de estratégias de conservação foi conjunta, embora o Pantanal deva ser tratado conforme sua dinâmica ecológica.
Além dos cerrados e do Pantanal, segundo Bráulio Dias, do Ministério do Meio Ambiente, os resultados dos workshops de outros biomas, programados para este ano, também serão transformados em políticas de governo. Amanhã, tem início a definição de prioridades para a Mata Atlântica (incluindo mangues e matas de restinga) e os campos sulinos. Em setembro, serão revistas as propostas de 1990 relativas à Amazônia, em outubro será a vez da zona costeira e ecossistemas marinhos e, no início de 2000, a caatinga. (AE)





