São Paulo, 25 (AE) - Nada de caras pintadas ou cabeças raspadas. Hoje, no último dia da semana de recepção aos calouros de medicina da Universidade São Paulo (USP), não dava para identificar quem era novato ou veterano. Este ano não houve trotes. A única obrigação dos novatos era pintar a quadra e a arquibancada da piscina do clube dos alunos, em Pinheiros, na zona oeste da capital.
No mesmo local, há pouco mais de uma ano, foi encontrado morto o calouro de medicina Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos. O corpo do estudante apareceu no fundo da piscina, após um churrasco realizado para comemorar primeiro dia de aula. Era também o último dia da semana de recepção dos alunos. Hoje, cerca de 200 alunos, entre calouros e veteranos, participaram de uma cerimônia em sua memória. Uma placa com o nome do ex-aluno foi inaugurada. Ao lado da placa foi plantada uma árvore.
A pró-reitora de graduação da USP, Ada Pelegrino Grinover lembrou de Hsueh durante a cerimônia afirmando que foi uma fatalidade o que ocorreu no local no dia 23 de fevereiro de 1999. "Espero que os alunos mudem a maneira de receber os calouros", disse durante o evento. A família de Hsueh foi convidada pela faculdade, mas não compareceu. Mudança - "Este ano estamos realizando um outro tipo de recepção aos calouros", disse o presidente da Associação Atlética Acadêmica Osvaldo Cruz, Fabio Ortega. "Depois das pinturas haverá o almoço e uma gincana". Os calouros gostaram da nova recepção. "Estava um pouco preocupada, mas sabia que nada de pesado iria acontecer", disse a estudante Daniela de Oliveira. "Todos estão cautelosos e vou fazer essa mesma recepção para os alunos que entrarem no próximo ano".
Outros calouros também elogiaram a confraternização e o clima de amizade, mas lamentaram não ter a cara pintada ou o cabelo raspado para mostrar para parentes e amigos. "Durante três anos tentei passar na faculdade, agora que consegui senti falta de ter a cara pintada", disse Tiago Abraão, de 20 anos, que já conhecia alguns veteranos da época do cursinho. Sem solução - O inquérito que apura a morte Hsueh ainda não finalizado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), órgão que investiga o caso. Após finalizado, o inquérito seguirá para o Ministério Público, que vai decidir se há necessidade de mais investigações.
Ao todo são mais de 300 pessoas que estavam no churrasco de confraternização dos calouros, um dia antes do corpo de Hsueh ser encontrado no fundo da piscina do clube. Ele não sabia nadar e seus pais afirmaram, na época, que ele jamais entraria piscina. Uma comissão processante da USP concluiu que não havia provas para culpar quatro estudantes acusados de envolvimento no episódio.

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