Curitiba- Quando se formou em medicina, em 1977, o então clínico geral Gláucio Alves reparou que entre 40 a 60% dos pacientes tinham algum transtorno psicossomático, ou seja, alterações emocionais que refletiam no corpo, causando doenças. A constatação serviu de estímulo para que, em 1981, ele se tornasse psiquiatra e, em 1983, escolhesse o estresse como tema de sua tese de doutorado, feito na Suíça. Foi nessa época que ele teve contato com as mais variadas técnicas usadas para reduzir o estresse, como a yoga, tai chi chuan, formas de relaxamento e também a meditação.
''Em situações de tensão muscular, tensão emocional e tensão mental, a meditação produz resultado contrário, relaxando o corpo, a mente e reduzindo as emoções'', explica. De acordo com ele, quanto maior o nível de relaxamento muscular, maiores são as chances de minimizar as doenças associadas ao estresse, como infarto de coração, úlceras de estômago, hipertensão arterial, enxaquecas, colites, asma, dermatoses, e estados de depressão, angústia e ansiedade.
O estresse, explica, é resultado de idéias que estão na cabeça da pessoa, e não de fatos. ''Estresse não é o que está acontecendo, mas aquilo que isso significa para você. Por exemplo, se eu tenho que passar em um exame, não é o exame a causa do meu estresse, mas sim o que eu penso sobre o exame'', diz. Por isso, o objetivo da meditação transcendental, segundo ele, é esvaziar a mente. ''É a filosofia de que a mente vazia é a mente plena, e chama-se transcendental porque transcende, vai além dos pensamentos.
E é essa meditação transcendental, baseada no método do guru indiano Maharishi Mahesh Yogi, que ele utiliza e recomenda a seus pacientes. O método indiano de meditação prevê o uso de um mantra (palavras ou sons sem significado utilizados na meditação budista), que a pessoa vai repetindo inúmeras vezes até trocar os pensamentos que estão em sua cabeça apenas pelo mantra.
Em termos práticos, meditar é concentrar a atenção em uma única coisa. Pode ser o ritmo da respiração, um mantra ou mesmo o vazio universal. No caso do psiquiatra, ele ensina a pessoa a relaxar concentrando-se em uma parte de seu corpo, como o ritmo da respiração, por exemplo. ''Quando a pessoa troca o pensamento por algo relaxante, o cérebro passa a produzir outras substâncias. Ele, que normalmente é ocupado por pensamentos de angústia, raiva, insegurança, e produz hormônios do estresse, quando relaxado, tem pensamentos ligados à paz, tranquilidade, amor, e o cérebro passa a produzir hormônios da saúde'', explica.
Vários estudos científicos comprovam que a meditação ajuda a baixar a pressão arterial e reduz a produção de adrenalina e cortisol, dois hormônios que atuam nas situações de estresse. Além disso, a meditação estimularia a produção de endorfinas, espécie de tranquilizante e analgésico natural fabricado pelo cérebro.
Concentrar a atenção em uma única coisa e esvaziar a mente parece simples, mas não é. Gláucio Alves reconhece que poucos desafios são tão difíceis para a mente turbulenta de um ocidental quanto aprender a meditar. Por isso, ele só utiliza e ensina a técnica da meditação quando sente que o paciente vai cumprir a disciplina necessária para ter algum benefício, o que exige no mínimo 20 minutos de meditação por dia. ''O mundo contribui para entulhar as pessoas de coisas e informações. O desafio, para ficar bem, é conseguir reformular esses conceitos'', explica.

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