São Paulo, 17 (AE) - A Cargill Dow Pollimers (CDP), joint-venture entre a Cargill (50%) e a Dow AgroSciences (50%), estão anunciando investimento de mais de US$ 300 milhões para a implantação de fábrica com capacidade instalada para produção de 140 mil toneladas ao ano de plásticos a partir do amido de milho e de trigo. A tecnologia de produção NatureWorks consiste em um processo fechado de fabricação do plástico, a partir da fermentação dos grãos e a mistura dessa massa com materiais orgânicos derivados de petróleo. A indústria entrará em operação no final de 2001, em Blair, Nebraska, EUA.
O NatureWorks, porém, utiliza de 30% a 50% menos derivados de petróleo na produção do plástico em comparação com o processo comum, totalmente à base de nafta. A nafta é o derivado do petróleo que dá origem aos petroquímicos eteno, etileno e propeno, matérias-primas das resinas termoplásticas produzidas em grande escala em todo o mundo.
O diretor de relações governamentais e assuntos públicos para a América Latina da Dow AgroSciences, Kazuo Hojo, afirma que os grãos para a produção de plástico não são modificados geneticamente. "Os cereais para este fim também podem ser plantados em qualquer lugar do planeta", explica ele.
A produção de plásticos a partir da cana-de-açúcar é mais rápida. Porém, seu cultivo só é possível em países de clima tropical, onde a incidência de sol é forte e prevalece durante a maior parte do ano. Para que o milho e o trigo sirvam à produção de plásticos, sua parcela de amido tem de ser transformada em glicose - por isso, a necessidade da fermentação. Já o processo com a cana é mais rápido, pois a glicose pode ser extraída imediatamente à colheita.
Os plásticos derivados de cereais poderão ser utilizados para as mesmas aplicações dos feitos de petróleo. Desde a fabricação de embalagens flexíveis e rígidas, fibras sintéticas para a confecção de tecidos até a produção de móveis serão possíveis a partir das novas resinas, que serão oferecidas ao mercado em vários tipos - como o são as petroquímicas.
A DCP defende que as plantações em grande escala para a produção do plástico também reduzirão o teor de dióxido de carbono da atmosfera, já que a planta processa esse composto, devolvendo-o como oxigênio à natureza, ao realizar a fotossíntese. "Há essa troca, durante a respiração da planta. E o plantio direto exige menos fertilizantes", garante Kazuo Hojo.
O plantio direto é realizado sobre a terra nutrida por restos de capim, inço e ervas mortas durante a plantação anterior. Esse material seco, absorvido pela terra, funciona como adubo orgânico para o próximo cultivo, informa Hojo.
Outra característica ecologicamente correta, dizem os fabricantes, é que esse plástico com menor teor de petróleo pode ser decomposto com o lixo orgânico, nos grandes aterros. Isso porque o material se desmancha com maior rapidez do que a resina termoplástica. A decomposição dos materiais orgânicos pode gerar o gás butano, para queima na geração de energia elétrica, por exemplo. A Alemanha, porém, domina a tecnologia da queima do plástico inorgânico também para a produção de energia térmica.
Na verdade, escala de 140 mil toneladas não é considerada grande nos Estados Unidos e, muito menos, para o consumo mundial. Mesmo assim, a primeira unidade do planeta não é considerada piloto (pequena escala, 500 t, por exemplo), fornecendo matérias-primas para algumas aplicações nos Estados Unidos, inicialmente. Os transformadores de plásticos comuns poderão utilizar suas próprias máquinas extrusoras, injetoras e sopradoras de resinas termoplásticas para processar o novo tipo de material.
Sobre o uso dos cereais para a produção de plásticos ser um contra-senso frente à fome que abate os países mais pobres do planeta, as inventoras do processo NatureWorks consideram que a nova tecnologia não diminuirá nem aumentará a oferta de alimentos no mundo. "A fome no mundo sempre foi uma questão política", observa Kazuo Hojo.
No Brasil, diz ele, a nova tecnologia ainda não tem data para desembracar, porque sua aceitação será testada antes nos Estados Unidos e na comunidade européia. A safra 1999/2000 de milho nos Estados Unidos chegou a 271 milhões de toneladas (t), das quais 56 milhões t foram exportadas. No Brasil, devido a questões climáticas o déficit previsto da safra 1999/2000 é de 1 8 milhão t. A produção é de 32 milhões t.

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