Cerco a assaltantes da Caixa tem 4 mortos e 5 presos
Suspeitos localizados à noite teriam atirado contra policiais. Cinco pessoas foram presas e admitiram envolvimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de outubro de 2019
Suspeitos localizados à noite teriam atirado contra policiais. Cinco pessoas foram presas e admitiram envolvimento
Rafael Costa - Grupo Folha 
Curitiba - O cerco a suspeitos de participar do roubo a uma agência da Caixa Econômica Federal em Curitiba resultou em mais três mortes e cinco prisões na noite desta segunda-feira (30). Um assaltante já havia sido morto em confronto com policiais pela manhã.

Os suspeitos foram localizados na região da agência, no bairro Tatuquara, onde uma operação envolvendo cerca de 150 policiais militares e civis procurava pelo restante da quadrilha, que conseguiu escapar utilizando clientes do banco como escudo humano durante a ação.
De acordo com a polícia, três suspeitos detidos na área, já à noite, informaram que haveria uma tentativa de resgate a membros do grupo que haviam se escondido em um matagal nas proximidades.
Uma equipe que patrulhava a região localizou e perseguiu um carro que circulava nas imediações. Três homens teriam abandonado o veículo e se embrenhando na mata. Segundo o tenente-coronel Rui Barroso, comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais), os criminosos responderam com tiros ao serem abordados por policiais e acabaram mortos. Eles estavam armados com dois revólveres calibre 38 e uma pistola 380.
Outras duas pessoas que estavam no carro foram presas. Foi encontrado com elas um malote bancário, com cerca de R$ 40 mil, que a polícia acredita ser da agência assaltada.
De acordo com Barroso, o homem e a mulher detidos no veículo admitiram que estavam colaborando com o resgate de pessoas envolvidas no roubo da agência. A polícia vai investigar se eles também ajudaram na execução do assalto. A possibilidade de envolvimento direto não é descarada.
A operação — que envolveu 25 viaturas do Bope e um helicóptero helicóptero do Batalhão de Operações Aéreas — começou aproximadamente às 10h de segunda e se estendeu até por volta de 4h da manhã desta terça-feira (1º). De acordo com Barroso, a polícia continuaria em ação na região para localizar outros possíveis integrantes do grupo.
“Segundo testemunhas, a ação da quadrilha que ocorreu pela manhã envolvia de oito a dez pessoas”, disse o comandante do Bope, em entrevista coletiva no Quartel do Comando Geral da PMPR (Polícia Militar do Paraná).
“Mantemos o patrulhamento ostensivo no perímetro do roubo. Paralelamente a isso, em ação integrada, a Polícia Civil segue nas investigações, porque não temos precisão no que diz respeito a quantas pessoas participaram”, explicou.
Além do dinheiro, foram apreendidos na operação quatro carros, cinco armas de fogo, munições, dois coletes balísticos e miguelitos (peças de metal usadas para furar pneus de carros durante a fuga).
INQUÉRITO
O delegado-titular do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), Rodrigo Brown de Oliveira, disse que tem “praticamente certeza” de que os quatro suspeitos mortos participaram do assalto com reféns à agência.
Já os cinco detidos foram autuados em flagrante por associação criminosa, porte de arma e receptação. As origens, antecedentes e o grau de participação de cada um no assalto serão investigados. Segundo o delegado, é provável que mais pessoas estejam envolvidas.
“Existe uma grande chance, pois geralmente não são apenas as pessoas que entram no banco. Existem olheiros e outros bandidos responsáveis por prover meios de fuga. Às vezes, tem gente que fornece informação privilegiada dentro da agência, dizendo a melhor hora para agir e o local onde o dinheiro fica guardado. Sempre tem mais gente”, explicou. “As coisas aconteceram muito rápido, então a gente, por enquanto, não pode afirmar as coisas com certeza.”
Os suspeitos e as informações obtidas até o momento serão passados para a PF (Polícia Federal), responsável por investigar assaltos à Caixa. Segundo Brown, um dos suspeitos mortos era foragido da polícia de Santa Catarina. A Polícia Civil catarinense teria reconhecido uma das armas longas utilizadas no roubo em Curitiba como tendo sido utilizada em outros assaltos no Estado vizinho. Duas espingardas calibre 12 foram apreendidas. A polícia investigará se o grupo praticou outros roubos no Paraná.


