Curitiba – Cerca de mil pessoas, a maioria estudantes universitários e de ensino médio, fizeram um novo protesto no Centro Cívico de Curitiba, ontem à tarde. O ato ocorreu em repúdio à ação violenta da Polícia Militar (PM) do Paraná durante a manifestação de professores e servidores públicos na tarde da última quarta-feira, quando 200 pessoas ficaram feridas.
A manifestação começou por volta das 12 horas e terminou às 17h30. A concentração começou na Praça 19 de Dezembro e seguiu para a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à AL e ao Palácio Iguaçu, sede do Executivo. Primeiro, os manifestantes pararam na porta da assembleia, e alguns, mais exaltados, tentaram forçar o portão, mas foram impedidos por seguranças da Casa e policiais militares. Por volta das 13 horas, os manifestantes foram para a frente do Palácio Iguaçu, onde permaneceram até o final da tarde.
Alguns estudantes também tentaram forçar um dos portões do Palácio e dois homens foram detidos pela polícia e encaminhados para o 1º Distrito Policial. Segundo informações da Polícia, um deles é estudante e outro trabalhador. Eles foram ouvidos e liberados após assinarem um termo circunstancial.
Fora essa ocorrência, o protesto transcorreu tranquilo, com poucos momentos de tensão. Os manifestantes gritavam frases contra o governador Beto Richa (PSDB), o secretário de Segurança Pública Fernando Francischini e os deputados que votaram a favor da mudança no Fundo Previdenciário. Por volta das 15 horas, eles arriaram a bandeira do Paraná, que estava hasteada em frente ao Palácio Iguaçu, e colocaram junto dela uma bandeira preta simbolizando luto. Voltaram a erguer as bandeiras e depois, usando tinta preta, deixaram marcas de mãos no mastro.

INTEGRIDADE
O estudante de Direito Valnei França, 22 anos, disse que a manifestação é em solidariedade aos servidores para que "nunca mais aconteça nesse Estado a barbárie ocorrida na quarta-feira. Ofenderam a integridade física e moral dos alunos, professores, servidores. Nós sempre vamos nos lembrar do massacre de 29 de abril". Emanuel Negrão, 29 anos, aluno do curso de Direito, disse que participou do protesto de anteontem, comentou que foi atingido por duas balas de borracha e, mesmo assim, conseguiu ajudar os feridos. "Hoje (ontem) eu voltei para demonstrar meu apoio aos servidores e meu repúdio à Assembleia Legislativa", afirmou.
Dois protestos estão marcados para acontecer hoje, no Centro Cívico de Curitiba. O primeiro, pela manhã, é organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP/Sindicato) e terá a presença da ex-deputada federal Luciana Genro, hoje presidente da Fundação Lauro Campos, que pertence ao Psol. O segundo, à tarde, está sendo marcado por grupos de pessoas em redes sociais. Em Londrina, um grupo de manifestantes também marcou concentração a partir das 9 horas de hoje em frente ao Teatro Ouro Verde.

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