Cerca de mil italianos e descendentes discutem direitos no Rio
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 26 (AE) - Pelo menos mil italianos e descendentes que moram fora da Itália se reuniram ontem e hoje no Rio no V Congresso Internacional da Confederação dos Italianos no Mundo (CIM), que tem 4,5 milhões de associados em todo o mundo. O encontro discutiu os direitos dos não residentes junto a seu país, como o voto, e também a ampliação do intercâmbio entre a Itália e os países onde há grande concentração de italianos - entre eles o Brasil.
"Quem mora em outro país ainda é visto por lá como um patinho feio", afirma Corrado Bosco, presidente do CIM no Brasil, que vive aqui há 37 anos. "Hoje não podemos votar quando há eleições na Itália, o que é absurdo, já que também somos cidadãos", conta Bosco. O CIM quer ainda participar de eleições de estados e municípios italianos e da Comunidade Européia. Mas para isso é necessário que o parlamento reveja dois artigos da Constituição.
Bosco considera, no entanto, que também há motivos para comemorar."Percebo que existe uma maior visibilidade da cultura e língua italianas pelo mundo", diz. "Mas acho que nossas relações com nossa terra deveriam melhorar ", ressalva. Cerca de 25 milhões de italianos e descendentes vivem hoje no Brasil, o que corresponde a 45% do total dos que não residem na Itália. Em segundo lugar está a Argentina, com 15 milhões, e os Estados Unidos, com 10 milhões.
O CIM pretende também incrementar o intercâmbio cultural e comercial entre Brasil e Itália. Participando do encontro, o brasileiro Raphael Zibelli - neto de sicilianos -, que é diretor da Associação Brasileira de Proprietários de Restaurantes, acha que o comércio entre os dois países é pequeno. "Os italianos adoram feijão, cachaça e mate, produtos que são muito pouco exportados hoje pelo Brasil",diz Zibelli. "Seria interessante fazer um festival de comida brasileira por lá", afirma.


