Porto Alegre, 16 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupou hoje de madrugada a Fazenda Santa Júlia, na cidade de Júlio de Castilhos, região central do Rio Grande do Sul. Esta é a segunda invasão de terras, num período de 24 horas, no Estado. Segundo o líder regional da entidade, Augusto Olsson, cerca de 950 famílias estão instaladas na propriedade. Com a sequência de ações, o movimento soma mais de quatro mil sem-terra acampados no Rio Grande do Sul.
A área escolhida hoje tem 1.163 hectares e pertence à Sogesta S.A., companhia que fabrica cimento. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) admitiu que há um processo administrativo de desapropriação da fazenda tramitando na superintendência estadual. A fazenda teria capacidade para receber 50 famílias. O MST pede a liberação da área para a reforma agrária. Justiça - Hoje, a Federação da Agriultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que representa os produtores rurais, informou que seria pedida ainda hoje a reintegração de posse da Fazenda Rubira, em Piratini, na região sul do Estado. A área foi invadida por cerca de mil famílias do MST na madrugada de segunda-feira. Um pedido semelhante será feito em relação à Santa Júlia, afirmou o diretor jurídico da Farsul, Nestor Hein, que supervisiona as ações judiciais dos fazendeiros. "Quer se disseminar a bagunça no interior do Estado", acrescentou Hein.
Num período de 16 dias, o MST realizou três invasões no Rio Grande do Sul. O primeiro alvo foi uma área da companhia elétrica Gerasul, em Catuípe, noroeste gaúcho. O MST e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) continuam acampados na área, que foi comprada para receber famílias que perderam suas casas durante a construção de usinas hidrelétricas.
A Farsul também previa para hoje o ingresso de um pedido de reintegração de posse de uma fazenda em Espumoso (a quase 270 quilômetros de Porto Alegre) invadida por cerca de 200 descendentes de índios caingangues na madrgugada de segunda-feira. As famílias indígenas afirmam que a fazenda integra uma região de quase 45 mil hectares que pertencia a seus ancestrais. A ação seria apresentada à Justiça Federal, que tem competência para decidir sobre questões indígenas, segundo o diretor jurídico da entidade.

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