Cerca de 900 mil passageiros ficam sem ônibus em SP
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 25 (AE) - Cerca de 900 mil passageiros voltaram hoje a ficar sem ônibus, no terceiro dia de greve parcial de motoristas e cobradores de São Paulo. Mais uma vez, também houve lentidão no trânsito da cidade, provocada pelos protestos da categoria, que incluiram o estacionamento de ônibus no centro e na zona sul.
A manhã começou da mesma maneira que o dia anterior, com nove empresas paradas e mais de 2,5 mil ônibus fora de circulação. Novamente, a zona leste da cidade foi afetada, mas também houve reflexos fortes na zona sul, que enfrenta dificuldades por praticamente não ter alternativas, como o trem e o metrô. Paralisaram as operações as empresas Penha-SãoMiguel, São José, talgo, Transvipa, Vila Industrial, Bola Branca, Jurema
Campo Belo e São Luiz.
Os protestos atingiram os terminais Parque Dom Pedro, Santana, Cidade A.E Carvalho, João Dias e Capelinha. Ao meio-dia
a situação foi normalizada apenas em Santana, na zona norte. Para contornar a situação, a São Paulo Transporte (SPtrans) utilizou o Plano de Apoio entre Empresas em Situações de Emergência (Paese), deslocando 406 carros de outras empresas para conduzir os passageiros.
No período da tarde, três empresas foram retomando as atividades aos poucos e diminuindo os problemas dos passageiros. No fim do dia, apenas três empresas permaneciam em greve. Pneus furados - Além da paralisação, a categoria espalhou ônibus pela cidade. Havia mais de 50 ônibus estacionados, muitos deles com os pneus furados, na Estrada de Itapecerica e na MBoi Mirim
na zona sul. A categoria também estacionou carros nas proximidades do Palácio das Indústrias. Dentro da praça que cerca a sede da Prefeitura ficaram parados 256 ônibus. Mais de 90 foram espalhados pela região do Parque Dom Pedro, nos Viadutos 31 de Março, Diário Popular e Mercúrio. Guinchos da SPTrans foram usados para retirar parte dos veículos e aliviar a lentidão no trânsito. Durante todo o dia, pelo menos cem ônibus foram depredados na cidade.
O pico de congestionamento da manhã ocorreu às 8h30, quando a cidade tinha 86 quilômetros de lentidão. À tarde, às 18 horas, eram registrados 91 quilômetros. Motoristas e cobradores estão em greve parcial desde segunda-feira reivindicando o pagamento dos salários. Algumas empresas não estão conseguindo fazer os depósitos em dia. Os empresários alegam que vêm enfrentando dificuldades financeiras, provocadas pela perda de passageiros para os lotações e pelo fato de a Prefeitura não conseguir saldar suas dívidas com as empresas. Todos os meses, a administração municipal paga parte do custo do sistema de ônibus
mas está devendo R$ 176 milhões.


