Aparecida, SP, 07 (AE) - Desde madrugada centenas de ônibus de romeiros invadiram a Via Dutra com destino ao Santuário Nacional de Aparecida. Pelas estimativas da administração do centro religioso, cerca de 80 mil fiéis participaram das solenidades envolvendo a 12º Romaria dos Trabalhadores e a 5º edição do Grito dos Excluídos. A movimentação foi grande desde as primeiras horas da manhã, que transformou a basílica no Dia da Independência no principal palco político do País.
A romaria do Grito dos Excluídos, da Vila Brasilândia, que cumpriu a pé 200 quilômetros entre São Paulo e Aparecida, chegou às 9 horas ao pátio da igreja, com 500 integrantes. E proporcionou um dos momentos mais emocionantes do evento. O número de participantes da marcha dobrou nos últimos quilômetros antes de entrar na alça de acesso da cidade. Leontina Caetano Oliveira, de 69 anos, entrou carregando a imagem da santa. Mãe de 11 filhos e devota de Nossa Senhora, pretendia fazer apenas um pedido: " Quero um mundo melhor, tem muita criança passando fome".
Antes de entregar a cruz de madeira para outro companheiro de caminhada, a telefonista Marisa Pereira Presotto agradeceu uma graça recebida e pediu por justiça. Seu marido, Osmar Roberto Presotto foi assassinado no final do ano passado na Freguesia do à, em São Paulo. Segundo ela, os assassinos o confundiram com um fiscal da prefeitura e o caso até agora não foi concluído. " Além de justiça, peço por saúde, trabalho, educação e paz", completou com o rosto molhado pelas lágrimas.
Enquanto os romeiros se organizavam para entrar no templo, a procissão com a imagem oficial de Nossa Senhora Aparecida vinha do Porto Itaguaçu acompanhada por 10 mil pessoas. As pessoas que acompanharam o cortejo levavam pequenas bandeiras nas quais eram estampadas a figura da carteira de trabalho e o lema " Brasil, teu filho não foge a luta". A organização registrou caravanas vindas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Paraná. Os ônibus estavam enfeitados com bandeiras do Brasil, das Comunidades Eclesiais de Base (CBEs) e por algumas outras de partidos de esquerda.
Eduardo José Moreira conseguiu enfim entrar na igreja com seu cajado de madeira e a coroa de espinhos feita com arame farpado retirado da cerca de um assentamento de sem-terra. Dois dos maiores símbolos da marcha, que representavam a liderança e a sofrimento. O aposentado de 49 anos, que caminhou os oito dias com o grupo de romeiros, prometeu continuar empenhado na luta para melhorar o País. " Meu pedido é de que Deus e Nossa Senhora mexesse com a consciência dos nossos líderes para que escutem a voz do povo", disse.
Os dois grandes grupos de romeiros- manifestantes fundiram-se num só e seguiram numa grande procissão até a porta de entrada da basílica, acompanhando o pequeno andor enfeitado por flores brancas que carregava a imagem da santa. Ao entrar no templo, às 10 horas, foram aplaudidos pelas 35 mil pessoas que participaram da missa celebrada pelo cardeal arcebispo de Aparecida, D. Aloísio Lorscheider. " A romaria teve um pedido de perdão pelo nosso pouco compromisso com a mudança do Brasil"
explicou um padre co-celebrante aos fiéis presentes.

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