Brasília, 23 (AE) - A Advocacia Geral da União (AGU) constatou que pelo menos 50% das plantações de maconha existentes no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, estão em terras devolutas e foram apropriadas ilegalmente pelo narcotráfico. Pelo levantamento da AGU, somente 10% das áreas são de particulares e os 40% restantes ainda não foram cadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As terras devolutas - pertencentes ao Estado ou União, mas que foram griladas - são áreas também onde a produção de maconha torna-se mais rentosa e barata, já que estão próximas ao rio São Francisco. Algumas, inclusive, são ilhas ao longo do rio
ou estão dentro da área de propriedade da Centrais Elétricas de São Francisco (Chesf).
Mas o maior problema encontrado pela Polícia Federal, que realiza a cada 45 dias uma operação especial de combate aos plantios de maconha, é que poucas vezes os verdadeiros proprietários onde estão as lavouras da droga não são presos. Normalmente eles arredam as áreas para terceiros ou contratam sertanejos para realizarem as plantações clandestinas.
Pelo levantamento feito pela procuradora da AGU em Petrolina (PE), Josefa Silva, a PF vai realizar um trabalho para tentar identificar quem está utilizando as terras devolutas. O delegado regional da Polícia Civil em Salgueiro (PE), Vamberto Souza acredita que será dificil identificar os usuários. "Às vezes ficamos sabendo quem são por intermédio dos vizinhos ou conhecidos, mas o mais difícil é provar", diz Souza.
Este ano o governo realizou uma das maiores operações de combate aos plantios de maconha de toda a história do Nordeste. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas, até o final do ano pelo menos 500 mil pés de maconha devem ser erradicados, mas o principal motivo da operação, feita em conjunto com o Exército e Polícia Federal, é distanciar a população sertaneja dos traficantes.
Hoje, o secretário Antidrogas, Walter Maierovicth, esteve reunido com o vice-presidente, Marco Maciel, para mostrar os resultados parciais da operação, que será pernanente. O governo está planejando outra ação em Tabatinga, no Amazonas, região por onde passa grande parte da cocaína que chega ao País.

mockup