Cerca de 400 funcionários da Ceterp/Telefônica devem deixar empresa hoje
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 29 (AE) - Pelo menos 400 funcionários da Ceterp/Telefônica, em Ribeirão Preto devem sair da empresa a partir de hoje (29) pelo Plano de Desligamento Incentivado e Voluntário. O corte prevê que, no total, 700 funcionários dos 1.084 sejam desligados da empresa, como forma de adequar o índice de produtividade da Ceterp às demais unidades da Telefônica. A diretoria, no entanto, optou por manter pelo menos 300 trabalhadores até julho naquilo que chama de "fase de transição" da Ceterp. Esses funcionários que ficarão até julho receberão vantagens oferecidas pela Telefônica para se manter temporariamente no emprego.
O pacote de vantagens, que está sendo entregue aos funcionários, inclui pagamento normal dos salários no período e bônus de 25% por mês de permanência na empresa. A empresa também se comprometeu a antecipar em 15 de março 30% do valor estabelecido como incentivo para adesão ao plano, ou seja o pagamento total dos salários integrais até setembro, quando termina o prazo de acordo de estabilidade de emprego da categoria, mais bônus sobre o período trabalhado na empresa.
Outra parte dos funcionários está recebendo propostas para permanecer definitivamente na Ceterp, com bônus equivalente a uma remuneração fixa a ser paga em 15 de março e garantia do recebimento dos incentivos do plano caso o desligamento aconteça nos próximos 12 meses. A proposta feita pela Telefônica foi aceita em assembléia no Sindicato dos Telefônicos na noite de ontem (28) em Ribeirão Preto.
Adesão - O Plano de Desligamento Incentivado e Voluntário (PDIV) da Ceterp foi programado pela Telefônica entre os 15 e 22 de dezembro, quando a empresa ainda não havia assumido o controle acionário da Ceterp em leilão. A Telefônica pretende com o plano enxugar os quadros da Ceterp, considerado inchado para padrões internacionais. Números veiculados pela empresa dão conta de que na Ceterp existem 175 ramais instalados para cada funcionário, enquanto na própria Telesp, já em poder da Telefônica, esse índice é de 350 ramais para cada funcionário na empresa. A Telefônica, no entanto, não calculava o elevado índice de adesão ao plano. A empresa assume oficialmente que mais de 800 funcionários aderiram ao plano, mas o próprio sindicato divulgou que 937 trabalhadores já havia demonstrado interesse em aderir ão PDIV.
Fontes de dentro da Ceterp informaram à Agência Estado que, considerando funcionários ainda em férias que manifestaram por carta sua intenção de aderir ão plano, a adesão total chegaria a 96% dos 1084 funcionários, o que acabaria inviabilizando a empresa. Essas mesmas fontes informaram ainda que a empresa está negociando individualmente vantagens junto a cada um dos funcionários que lhe interessa manter permanentemente.
Essas negociaçoes, juntamente com as vantagens oferecidas para os funcionários que ficarão temporariamente na empresa, segundo cálculos feitos por fontes dentro da Ceterp, elevaria o volume de provisões feitas pela empresa dos R$ 33 milhões para R$ 45 milhões aproximadamente. O provisionamento para o PDIV é apontado por economistas consultados pela Agência Estado em Ribeirão Preto, como sendo o principal responsável pelos prejuízos apontados no balanço da Ceterp divulgado na última quinta-feira (24), de R$ 28,5 milhões. No ano anterior, a Ceterp havia registrado lucro de R$ 6,5 milhões. O presidente da Ceterp/Telefônica, Stael Prata, que tem estado em Ribeirão Preto para constantes reuniões durante as últimas duas semanas, está evitando a imprensa e não comenta nada sobre o PDIV e o balanço da empresa.


