Cerca de 2% das gestantes têm aids, segundo pesquisa feita em Ribeirão Preto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Brás Henrique, especial para a AE 
Ribeirão Preto, SP, 04 (AE) - Cerca de 2% das gestantes que passam pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, são portadoras do HIV. E 1% delas tem hepatite B, segundo pesquisa feita por Marisa Mussi Pinhata, professora doutora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo (USP). Os dados foram apresentados hoje (04) na Jornada de Ginecologia e Obstetrícia que acontece na cidade.
"O índice é preocupante, por isso é tão importante que as mães façam o pré-natal para não transmitirem a doença aos bebês, caso estejam infectadas", diz Marisa. A pesquisa começou a ser feita há dez anos, mas o índice de infecção aumentou nos últimos anos. Das cerca de 3 mil mulheres atendidas todo ano, aproximadamente 60 tinham o vírus.
A forma de contágio do HIV também mudou. As contaminações, que ocorriam com usuárias de drogas ou prostitutas no passado, hoje acontecem em relações sexuais com os maridos que mantêm relações extraconjugais. Cerca de 20% dos filhos dessas mães (normalmente carente ou sem plano de saúde) foram contaminados - 70% desse universo podem ter aids até os 2 anos.
Caso o pré-natal constate a contaminação com o HIV, o medicamento AZT (zidovudina) - fornecido gratuitamente pelo governo -, ingerido após 14 semanas do início da gestação até o parto, diminui o risco de contágio do bebê. No parto, a mãe precisa tomar o medicamento na veia. Após doze horas do nascimento, até a sexta semana de vida, o bebê também deve tomar o AZT.
A pesquisa de hepatite B foi feita com aproximadamente 8 mil mulheres que passaram pelo HC - que recebe pessoas da região de Ribeirão, do sul de Minas e de outros estados - em três anos. Com vacina e imunoglobulina o recém-nascido pode ter a infecção prevenida entre 90% e 95%. "Caso não seja feito o tratamento, em até 70% dos casos as crianças se infectam, mesmo sem os sintomas, podendo desenvolver hepatite crônica e transmitir a doença às pessoas ao redor", explica a pediatra.
Riscos - A infectologista do Grupo São Francisco, Silvia Nunes Szente Fonseca, falou dos riscos de contaminação por aids e hepatite B de ginecologistas e obstetras. A contaminação pela aids está entre 0,2% e 0,5%, enquanto a possibilidade de adquirir hepatite B é de 30%. Os dados são de pesquisas feitas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Até fevereiro havia 94 casos confirmados de contágio de aids, de paciente para médico, além de 171 prováveis. O contágio de hepatite B nos Estados Unidos, hoje, é de mil casos por ano, mas nas décadas de 70 e 80 o índice era de 12 mil anuais. "A diminuição ocorreu porque os médicos tomaram vacina", comentou Silvia, explicando que apenas 4% dos médicos consultados no Hospital São Francisco, em Ribeirão Preto, conseguiram responder como se transmite a hepatite B.


