A superintendente da atenção à saúde da Secretaria de Saúde do Paraná, Márcia Huçulak, afirma que em média 10% das gestações no Estado termina em aborto. Ela ressalta que parte deles acontece espontaneamente e outra parte é provocada, mas é difícil dimensionar essa proporção. O Paraná possui hoje uma população de 11,17 milhões de habitantes e a taxa de fecundidade é de 1,63% ao ano, ou seja, 182 mil crianças aproximadamente. Se a taxa de 10% for aplicada a esse número, são cerca de 18 mil fetos abortados por ano no Paraná. Mas isso é apenas uma estimativa.
"Obviamente as pessoas não vêm nos consultar para fazer aborto. Elas buscam alternativas individuais, particulares, como as farmácias, para fazer esse abortamento. Por esse motivo não temos estatísticas disso", ressalta. Ela destaca que o Estado oferece todos os métodos contraceptivos para que a prática não ocorra. "Nós temos trabalhado a educação sexual nas escolas em 360 municípios, abordando o planejamento reprodutivo", explica. Além disso, a pasta oferece a todos métodos contraceptivos para evitar uma gravidez indesejável. "Oferecemos o DIU, pílula, contraceptivo injetável, laqueadura, vasectomia, mas em geral esses casos têm a ver com gravidez de adolescentes ou de algum casal que se descuidou do método contraceptivo", explica. Ela revela que 18% dos casos de gravidez registrados no Paraná estão na faixa entre 10 e 19 anos. "Temos municípios em que esse percentual chega a 35%. Temos crianças com 11 e 12 anos tendo filhos", alerta.
Márcia afirma que, se isso acontece, a Secretaria de Saúde oferece pelo programa Mãe Paranaense todo o pré-natal, exames e no mínimo sete consultas para identificar riscos de cada gestante, o que pode ajudar na diminuição dessas estatísticas. Ela destaca que ninguém sabe o que leva alguém a tomar uma decisão de abortar. "Nós não fazemos juízo de valor, porque esse problema pega todas as faixas etárias: jovens, adultas e até mulheres em uma fase mais avançada, no intervalo de um relacionamento. Se por exemplo uma adolescente não quer que a família descubra que ela tem vida sexualmente ativa, no lugar da pílula, oferecemos o DIU", explica. (V.O.)

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