São Paulo, 12 (AE) - A economia latino-americana deve apresentar este ano uma retração de 0,4%, primeiro resultado negativo nos últimos cinco anos. Com isso, o crescimento econômico da região na década de 90 não deve passar de 2,5%, uma das taxas mais baixas dos últimos 50 anos. As previsões ao final do ano passado indicavam uma expansão de 1% este ano para os países latino-americanos.
Apesar desses desempenhos negativos, provocados pelas crises asiática, em meados de 1997, e russa, no ano passado, a América Latina registrará, nos anos 90, um crescimento superior ao da década de 80, quando a região se expandiu apenas 1%, informa a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que revisou esta semana as suas projeções econômicas para a região.
"Por isso, não concordo com as afirmações de que os países latino-americanos estejam igual ou pior em relação aos patamares críticos daquele período", disse à Agência Estado o diretor da Divisão de Estatísticas e Projeções Econômicas da Cepal, Pedro Sainz.
Para o economista da Cepal, a região conseguiu, nos últimos nove anos, fazer reformas significativas que permitiram obter ganhos de competitividade razoável em comparação com estagnação da década de 80. "Apesar dos graves problemas, a América Latina tem conseguido definir políticas econômicas razoavelmente estáveis, embora elas sejam medíocres em termos de distribuição de renda (pobreza) e no aspecto social (desemprego)", disse Sainz, por telefone de Santiago.
Embora a América Latina tenha crescido com índices superiores a 5% nas três décadas anteriores à da de 80 (5,1% na de 50; 5,7% na de 60; e 5,6% na de 70), os problemas sociais nos países latino-americanos continuam sendo os mesmos. "Essas são as principais fraquezas da região", lamentou Sainz.
A Cepal revisou também a taxa de crescimento de 1998. Naquele período, a economia latino-americana cresceu 2,3%, praticamente igual à previsão feita pela Divisão de Estatíticas e Projeções Econômicas em meados do ano passado (2,2%).
Os dados desse período impressionam pela brutal queda em apenas 12 meses. No primeiro trimestre de 1998, por exemplo, os países do Cone Sul cresceram, em média, 6%. Em meados daquele ano, essas economias apresentavam crescimento quase nulo, e, no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) desses países caiu pouco mais de 1%.
"Tudo indica que esse cenário negativo deverá prolongar-se ainda mais. Com a tendência de elevação das taxas de juros norte-americanas, não é possível prever uma recuperação da economia da região a curto prazo", afirmou Sainz.
Para ele, as taxas de juros para conseguir créditos externos e a dificuldade de renovação do títulos públicos vão continuar conspirando contra a estabilidade das economias latino-americanas, pelo menos até meados do próximo ano.
De acordo com a cepal, a região vinha operando no transcurso desta década com uma entrada significativa de capitais externos, que se acentuou a partir de 1996. "Mas, como ocorreu em ocasiões anteriores, a passagem brusca de uma situação quase confortável para outra em que o acesso aos mercados para a colocação de títulos se torna difícil e ainda os investimentos estrangeiros diretos caem consideravelmente provoca a forte expansão dos já apreciáveis déficits comerciais e do balanço de pagamentos", diz a Cepal.

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