Cepal revela que América Central cresceu mais em 1999
Santiago, 16 (AE-AP) - A economia da América Latina como um todo não registrou crescimento este ano, mas enquanto a Região Sul viveu um período que pode ser considerado "de estagnação", se não recessivo, a América Central e o Caribe apresentaram avanços importantes.
Essa é a conclusão de um estudo preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e divulgado hoje pelo secretário-geral da instituição, o colombiano José Antonio Ocampo. "Esse foi um ano de grandes dificuldades para muitos países latino-americanos."
Embora o desempenho geral médio este ano tenha sido deficiente
o crescimento médio de 3,6% previsto para o ano 2000 permitirá que a expansão média da década de 90 fique em 3,2%, porcentual positivo, mas inferior ao verificado nas duas décadas entre 1950 e 1970. De acordo com os economistas da Cepal, a sólida expansão da economia norte-americana favoreceu principalmente o México, a América Central e o Caribe.
O relatório aponta o aumento do desemprego, de 8% para 8,7%, como o principal resultado da estagnação do crescimento na América Latina. Já a inflação, mal que parecia estar enraizado na maioria dos países da região, manteve-se sob controle em torno de 10% ao ano em média.
Os economistas da Cepal concluíram também que a região foi muito afetada pela queda nos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, fato que ocorreu paralelamente a uma expressiva alta nas cotações do petróleo e à uma queda brusca no comércio intrarregional.
A crise internacional, observa o documento, teve repercussões em sete dos dez países sul-americanos, que terminaram registrando retração de até 7% no Produto Interno Bruto (PIB), como foi o caso do Equador e da Venezuela.
Mesmo a economia chilena, que até 1997 manteve-se sólida e apresentou crescimento sustentado, deve registrar retração de 1 5%. Na América do Sul, apenas o Brasil, que deve encerrar o atual exercício com expansão de 0,5%, a Bolívia, que crescerá 1%
e o Peru (3%) consegiram superar a crise sem um retrocesso grave.
Na América Central, porém, assinala o documento, foi registrada forte expansão, como é o caso da Costa Rica e da República Dominicana, que cresceram 7,5% e 7%, respectivamente. Em seguida, informa o relatório, estão Cuba e Nicarágua, com 6% de expansão, Guatemala, com 3,5% e México, com 3,5%, entre outros.
Outro efeito da redução do nível de atividade na região foi a retração de aproximadamente 25% no comércio intarregional, que até 1998 era um dos pricipais motores do crescimento. Mas a desaceleração da economia também contribuiu para a redução do déficit comercial em 1999, que caiu de US$ 51,123 bilhões, em 98
para US$ 19,7 bilhões.





