São Paulo, 13 (AE) - As perspectivas de crescimento da América Latina melhoraram consideravelmente depois do fim da crise financeira internacional, que se estendeu de 1997 até o ano passado.
A previsão é da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe), que vai apresentar na próxima semana, em Nova York, a revisão das estimativas de crescimento da região e de cada um dos países latino-americanos.
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o diretor da Divisão de Estatísticas e Projeções Econômicas da Cepal, Pedro Sainz, antecipou que a economia da América Latina deve crescer este ano entre 3,7% e 4%, bem acima do resultado nulo registrado em 1999 e pouco a mais em comparação aos 3,6% estimados em novembro do ano passado, quando a Cepal divulgou o primeiro relatório preliminar sobre as perspectivas latino-americanas.
"A diferença em relação ao ano passado é que, em 2000, quase nenhum dos países da região deve apresentar resultados negativos
exceto o Equador", disse Sainz, por telefone de Santiago, onde fica a sede da Cepal. Com isso, a economia da região deverá fechar a última década do Século 20 com uma expansão média de 3 2% a 3,5%.
De acordo com o economista, a América Latina será puxada, principalmente, pela surpreendente recuperação do Brasil, que deve crescer este ano 3,7%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima expansão de 4% para o País. No ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 0,8%, segundo a Cepal. O México, que vai manter um patamar de crescimento de 4,7%, e a América Central e o Caribe, com expansões previstas de 4%, também serão os responsáveis pela reação latino-americana.
A Argentina, cujo Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3% em 1999, também deve reagir este ano. Mas, ao contrário das expectativas do FMI, que prevê um crescimento de 3,4% para a economia argentina, a Cepal estima apenas uma expansão de 2,5%, taxa nem mesmo próxima à de 3,9% registrada em 1998.
Os países da Comunidade Andina (CAN), da qual fazem parte a Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, projetam uma expansão de pelo menos 3%, resultado bastante significativo se comparado com a queda de 3,45% registrada em 1999.
Essas estimativas serão apresentadas pela Cepal entre os dias 17 e 21 da próxima semana durante o Projeto Link, reunião semestral organizada pelas Nações Unidas com a presença de mais de 80 centros nacionais e internacionais de estudos econômicos, inclusive do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).
"A recuperação latino-americana está sendo possível porque a maioria dos responsáveis pela condução econômica dos países está abrandando as restrições monetárias impostas para enfrentar a crise internacional", explicou Sainz à Agência Estado. O economista da Cepal refere-se à redução das taxas de juros, embora não de forma constante, que os Bancos Centrais vêm praticando desde o início do ano.
"O que chama a atenção e também é importante destacar é a forte resistência dos países latino-americanos, principalmente do México e da região do Caribe, à crise financeira internacional", acrescentou Sainz. O economista afirmou, entretanto, que ainda existem alguns aspectos negativos que devem impedir uma expansão maior da América Latina. Entre eles, Sainz cita as restrições do mercado internacioanl para captar recursos externos.
"Embora esteja melhor do que no ano passado, o acesso aos capitais externos continua muito restrito e isso se deve ainda à desconfiança nos países em desenvolvimento, principalmente por causa da Rússia, que ainda enfrenta problemas." Sainz acredita também que a alta concentração de capitas nas bolsas norte-americanas e o fato de o FMI não estar disposto a socorrer sistemas bancários em dificuldades sem amplas garantias também são aspectos que devem influenciar negativamente para uma expansão maior dos países latino-americanos.
"Acredito que este último fator está deixando os banqueiros internacionais com uma posição muito conservadora em relação à América Latina", disse Sainz. A Cepal deve apresentar em Nova York ainda outras estimativas, como o balanço da conta corrente da região, que, no ano passado, mostrou um déficit de US$ 54 bilhões. A previsão para este ano é um resultado menos pior (US$ 50 bilhões).
"Esse número mostra as necessidades de finaciamento que os países terão para honrar seus compromissos externos. Assim como no ano passado, acredito que grande parte desses recursos virá de investimentos diretos, embora venham a se menores em 2000", disse o economista.
Já o déficit fiscal deve ficar entre 1% e 2%, em média, do PIB na maior parte dos países da região. A Cepal espera também uma boa recuperação das exportações latino-amricanas este ano, com um crescimento de 13,5%. Mas as importações também devem crescer
chegando a 12,5%.
"Excluindo o México, que representa 45% do comércio externo da região, a recuperação do restante dos países deve ser de 12% e de 9% para as exportações e as importações, respectivamente", acrescentou Sainz.
No ano passado, as vendas externas latino-americanas cresceram 5,9%, mas as importações caíram 3,9%, devido à recessão. Já a inflação, que em 1999 foi de 10% na região, deve ficar em torno de 9% este ano.

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