São Paulo, 18 (AE) - A expansão da economia mundial este ano deve manter-se nos níveis registrados no ano passado e o ritmo de crescimento do comércio mundial deve apresentar uma desaceleração. São essas as principais conclusões de um estudo preliminar da Cepal sobre as perspectivas para a economia mundial este ano.
Com base em dados do FMI, Comissão Econômica Européia, Projeto LINK, Observatoire Français de Conjucture Economique (OFCE) e do Institut de Recherches Economiques et Sociales (IRES), da Universidade Católica de Louvaina, a Cepal conclui que a perspectiva econômica mundial ainda depende da crise asiática e das suas sequelas.
O estudo - que ainda se encontra sob revisão editorial, mas que foi obtido com exclusividade pela AGÒNCIA ESTADO - diz que, atualmente, predomina uma grande incerteza sobre a recuperação dos países em crise, pelo menos a curto prazo. Para a Cepal, os fatores que podem levar a uma recessão predominam sobre os que eventualmente poderiam incentivar um maior dinamismo no crescimento mundial.
De acordo com os economistas da Divisão de Estatísticas e Projeções Econômicas da Cepal, a crise atual é diferente das crises precedentes na medida em que esta tem um forte componente deflacionário, ligado ainda à forte queda dos preços internacionais do petróleo e dos produtos manufaturados, que, em média, depreciaram-se 9% no ano passado.
As projeções de crescimento para a economia mundial foram revisadas em relação às projeções feitas anteriormente e mostram que a economia mundial deve crescer 2,2%, igual à taxa projetada em outubro (2,2%). As projeções de expansão para os países industrializados também foram revistas. De acordo com a Cepal, essas economias devem crescer 1,6%, abaixo dos 2% projetados anteriormente.
O relatório da Cepal mostra ainda que os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, poderão crescer 3,5%, acima do projetado em outubro do ano passado, quando a previsão era de 2,8%. A ásia, por exemplo, deve apresentar uma sensível recuperação, segundo essas projeções, passando de uma recessão de 10,6% para um crescimento ainda negativo de 1,4%. Para o Brasil, o estudo mostra um crescimento negativo de 1% este ano, ante uma projeção de 0,5% estimada em outubro do ano passado.
De acordo com os dados das organizações e entidades consultadas pela Cepal, o crescimento dos EUA deve variar entre 0,5% e 2%, ante 3,3% e 3,5%, segundo projeções de 1998 que ainda não foram confirmadas. Nessa mesma linha, a economia japonesa teria um crescimento negativo de 0,9% ou até uma expansão de no máximo 1,4%. Já a Alemanha é a menos afetada com a crise. As projeções mostram um crescimento entre 2,2% e 2,5%, pouco abaixo dos 2,6% projetados para 1998.
A Cepal diz que os crescimentos sustentados dos Estados Unidos e dos países europeus têm sido incapazes de sustentar o preço das matérias-primas. Daí a evidência da importância que tem a demanda dos países asiáticos dessa matérias-primas. Por sua vez, as economias asiáticas têm influência nos preços dos produtos manufaturados.
"Com a desvalorização promovida por esses países e a difícil situação de muitos produtos dessa região, a tendência dos preços dos produtos industrializados é de se depreciar ainda mais", afirma o estudo. Por isso, acrescenta a Cepal, surge a tendência deflacionária nos bens de comércio exterior, o que é um elemento a ser considerado na hora de definir as políticas monetárias e fiscais, em termos de seus resultados inflacionários internos.
Outro aspecto que diferencia a atual crise das outras é que as consequências são potencialmente perigosas em termos da economia mundial, devido à importante participação da ásia no comércio e no setor financeiro mundial, principalmente do Japão. "A perspectiva mundial está cercada de uma grande incerteza, já que as relações econômicas mundiais e a forte interdependência das variáveis reais e financeiras são bastante complexas, o que dificulta ainda mais realizar projeções de curto prazo", afirmam os economistas da Cepal.
Para eles, a maior preocupação se centra na probabilidade de que os EUA e Europa consigam escapar de um processo recessivo, caso contrário isso arrastaria, sem dúvida, a economia mundial. "São vários os perigos. Em termos de economia real, o foco se encontra sobre a situação japonesa devido a seu peso significativo na escala mundial e devido suas relações comerciais. A crise do Sudeste Asiático e uma eventual recessão na América Latina são outros fatores importantes para as perspectivas da economia mundial, afirma a Cepal. Até agora, acrescenta, a crise continua sendo assimétrica em seus efeitos, já que os EUA e Europa não foram afetados significativamente.

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