Centronic tenta reverter cassação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe Folha 
Curitiba - A empresa de segurança privada Centronic protocolou, em Brasília, na última segunda-feira, um pedido de revisão da decisão que cassou o registro da empresa. No último dia 7 de maio a Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP) da Polícia Federal determinou a cassação com base em oito denúncias contra a empresa. Em outubro de 2007 o estudante Bruno Strobel, de 19 anos, foi torturado na sede da empresa, em Curitiba e depois assassinado por três vigilantes. O recurso foi apresentado ao diretor do setor de Segurança Privada da PF e não tem data para ser julgado.
Segundo o advogado da Centronic, Elias Mattar Assad, a defesa alega que a empresa ainda cumpre todos os pré-requisitos estipulados para a manutenção do registro, nunca tinha sido punida administrativamente e que os vigilantes envolvidos na morte do estudante Bruno Strobel tinham registro regular na PF. Além disso, a empresa diz que seu fechamento irá prejudicar 600 famílias, uma vez que seus funcionários terão que ser demitidos.
''A cassação é uma punição muito radical, desproporcional'', defende Assad. O advogado se declara otimista. ''Tenho convicção de que teremos um resultado favorável''. Depois do recurso ao diretor do setor, a Centronic ainda pode recorrer ao ministro da Justiça. No entanto, caso a defesa seja rejeitada, a empresa pode ainda tentar manter o registro através de ações judiciais.
Na última terça-feira a justiça negou uma liminar de habeas-corpus para dois dos três vigias acusados do assassinato de Bruno. O pedido havia sido apresentado pelo advogado Flávio Lins, que representa Eliandro Marconcini e Marlon Balen Janke. O juiz Francisco Cardozo Oliveira indeferiu a liminar com base na possibilidade de intimidação de testemunhas do caso e de fuga dos acusados. Eliandro está foragido desde que outro habeas-corpus a favor de Douglas Sampaio permitiu sua libertação.
Segundo Lins, a defesa aguarda agora o julgamento do mérito do habeas-corpus, que deve acontecer num prazo de 20 a 30 dias. Já próximo desdobramento do caso acontecerá no dia 28 de maio, num audiência marcada para acontecer no Fórum de São José dos Pinhais.


