Curitiba - Desde janeiro do ano passado, o Centro de Produção e Pesquisas de Imunobiológicos (CPPI), órgão da Secretaria de Estado da Saúde, está tendo que produzir, fora do setor específico para essa finalidade, o soro antiloxoscélico, utilizado em casos de acidentes com aranha marrom. O problema é que o governo do Estado não conseguiu agilizar as reformas no pavilhão 2 do CPPI, onde deveria funcionar o setor, para adequá-lo às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Convênio com o Ministério da Saúde prevê que o CPPI deve fornecer quantidade de soro suficiente para atender a demanda nacional. Isso significa a produção de cerca de 3 mil doses/ano do soro antiloxoscélico usado em acidentes com as três espécies de aranha marrom: a intermedia (comum na Região Metropolitana de Curitiba), gaucho e laeta.
O diretor do CPPI, o médico veterinário Rubens Luiz Ferreira Gusso, garante que, apesar dos transtornos, o órgão está com a produção em dia. ''Não há risco na produção nesse outro pavilhão. É uma área certificada, controlada para a produção de outros produtos'', afirma.
De acordo com ele, a produção continua. O centro tem cerca de 50 bolsas de plasma prontos para a produção. O próximo lote, de 1.180 doses, será envasado em junho e entregue ao ministério no segundo semestre. A informação é confirmada pela médica Laura Dina Bertolo, responsável pelo programa do Ministério da Saúde de aquisição e distribuição de soros para os estados. ''Recebemos o soro do Paraná desde 2003 sem problemas'', afirmou.
Um técnico do setor, que não quis se identificar, não concorda. Ele afirma que um lote cuja produção foi feita no pavilhão alternativo já apresentou problemas. Durante testes de controle de qualidade teria sido encontrada a substância pirogênio, que pode ocasionar choque anafilático. Após reprocessamento do material pelo Instituto Butantã, de São Paulo, o produto estaria sendo novamente testado e ajustado pela equipe.
Gusso explica que o CPPI tem certificação ISO 9001/2000 para duas linhas de sua produção: do antígeno de Montenegro (usado no diagnóstico da leishmaniose), e do antígeno de Mitsuda (diagnóstico da hanseníase). Na segunda-feira, uma equipe do Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) visita o local para renovar, ou ampliar, a certificação.
O diretor reconhece que, por se tratar de um local com instalações antigas, há necessidade de reformas e adequações. O CPPI funciona desde 1997 no prédio do antigo Hospital São Roque, em Pinhais, na Região Metropolitana, mais conhecido como leprosário, e que foi desativado em função das mudanças terapêuticas para a doença.
No início do ano passado, após licitação, teve início a reforma do local. Menos de três meses depois o contrato foi cancelado. Em setembro do ano passado, a equipe técnica do CPPI refez o projeto, adequando-o à resolução da Anvisa para produtos injetáveis de uso humano.
O projeto, segundo Gusso, está sendo analisado pelo Departamento de Engenharia da secretaria. Com custo de R$ 350 mil, a obra está contemplada com dotação orçamentária e até o primeiro semestre de 2006 o processo de nova licitação deve estar concluído.

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