Curitiba - Curitiba será a primeira cidade do mundo a ganhar um centro de treinamento da Organização Mundial da Família destinado à capacitação de pessoas ligadas a organizações não governamentais, líderes comunitários e autoridades de toda a América Latina para o desenvolvimento de projetos sociais. Este será o início de um programa coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que tem por objetivo a criação de uma rede informal de ONGs. Ao todo, 2,2 mil organizações integrarão a rede, das quais 109 são da América Latina e 11 do Brasil.
A idéia é que essas organizações trabalhem em projetos que atendam as oito propostas de desenvolvimento firmadas na Declaração do Milênio pelos 191 países que integram as Nações Unidas. São elas: erradicar a pobreza; oferecer educação básica para todas as crianças; reduzir a mortalidade infantil; promover a igualdade entre homem e mulher; melhorar a saúde da gestante para reduzir mortalidade materna; combater a Aids, malária e outras doenças infecto-contagiosas; garantir a sustentabilidade do meio ambiente e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento.
De acordo com a presidente da Organização Mundial da Família, Deisi NOeli Weber Kusztra, o centro funcionará no prédio do antigo Educandário Santa Felicidade e deverá ser inaugurado em março do ano que vem. Outros centros regionais serão implantados dentro do programa da ONU, que dispõe, também de fundo especial para financiá-los.
Os programas desenvolvidos pelo Instituto Pró-Cidadania e Fundação de Ação Social (Fas) como reciclagem do lixo e Disque Solidariedade chamaram a atenção da chefe do Conselho Econômico e Social (Economic and Social Council) da ONU, Hanifa Mezoui, que coordena a implantação da rede de ONGs em todos os países envolvidos. Como os trabalhos se encaixam nas metas da ONU, o Instituto Pró-Cidadania será a primeira Ong do Paraná a se filiar às Nações Unidas.
A primeira reunião para discutir critérios e objetivos da criação da rede de ONGs foi realizada em Aracaju, no ano passado. Segundo Hanifa, a proposta foi lançada na África, em janeiro deste ano, mas a articulação das entidades está sendo feita primeiramente na América Latina. Em seguida, ela trabalhará com ONGs do leste europeu e, em 2004, da Ásia e Estados Árabes. A idéia é, em 2005, reunir representantes das 2,2 mil ONGs filiadas à ONU.
Hanifa está em Curitiba conhecendo os projetos de entidades assistenciais e iniciando os preparativos para a conferência da ONU Family Summit que acontecerá em 2004. Participa, também, no sábado, do 5º Encontro Nacional das Associações de Proteção à Maternidade e Infância (APMIs), que discutirá a promoção de parcerias entre governos, empresas e ONGs no desenvolvimento de programas sociais.

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