Centro de Triagem nega maus-tratos a apresentador
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A direção do Centro de Triagem II, localizado em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), chamou ontem a imprensa para mostrar as condições do setor da unidade destinado para presos com curso superior. A atitude foi uma resposta a acusações do ex-deputado estadual, jornalista e apresentador de TV Ricardo Chab, que ficou preso no local uma semana e que na segunda-feira, em entrevista coletiva, disse ter sido vítima de maus-tratos enquanto esteve detido.
O diretor do CT II, Cláudio Stegues Pereira, disse que Chab ficou preso no setor juntamente com o advogado Antônio Neiva de Macedo Filho. Ambos foram presos no dia 25 de abril, suspeitos de terem extorquido a empresa de segurança Centronic, para não divulgar que um funcionário estaria supostamente envolvido no desaparecimento de um morador da Região Metropolitana. Na última sexta-feira, os dois obtiveram liberdade provisória.
Chab disse que foi obrigado a ficar nu e de cócoras para inspeção, a tomar banho gelado, a usar uniforme de preso e ser fotografado nesta condição, a comer sem talheres, a ficar próximo de presos comuns, entre outras acusações.
A equipe do CT II mostrou à imprensa o setor especial, que estava limpo e bem iluminado. Segundo os agentes, essa edificação fica distante cerca de 60 metros da primeira ala de presos comuns. A equipe apontou que Chab teve acesso a chuveiro com água quente, pôde ver televisão e recebeu visitas de familiares, que puderam trazer alimentos para ele. A respeito da roupa, os agentes garantiram que o jornalista usou uma camisa azul marinho, cor que identifica presos com curso superior.
''Na prisão, ele comeu com talheres normais'', disse Stegues. A respeito da revista, o diretor afirmou que Chab foi revistado ''como qualquer outro preso''. Segundo Stegues, esse procedimento e a espera pela chegada de documentos não demoraram mais do que três horas a partir da chegada de Chab à unidade. De acordo com os agentes, depois disso o jornalista foi levado para a cela apresentada ontem à imprensa.
Stegues disse que acredita que as acusações de Chab são ''uma estratégia da defesa'' e informou que todo o período em que o jornalista permaneceu no CT II foi registrado em vídeo.
Ontem, o advogado de Chab, Haroldo César Náter, reafirmou que seu cliente foi vítima de maus-tratos no CT II. De acordo com Náter, Chab ficou dois dias preso numa espécie de contâiner, onde teriam ocorrido os problemas, e só depois foi levado para a cela.
''O CT II tem gravações 24 horas de tudo que acontece lá dentro. Se eles (equipe do centro de triagem) têm tanta certeza de que foi tudo feito corretamente, que eles mostrem à imprensa as primeiras 48 horas em que o Chab esteve lá. Foi nesse período que foi impingido o tratamento inadequado'', disse Náter.


