Brasília, 26 (AE) - O presidente indicado do BC, Francisco Lopes, disse que a centralização é um "não-regime" (cambial). "A centralização é o que se chama melar as regras do jogo, significa moratória, eu quero deixar isso bem claro, é cortar as relações do País com os credores externos", afirmou. Acrescentou que, no caso de centralização, "o crédito (externo) é zerado, o País fica sem acesso aos mercados".
Francisco Lopes afirmou que o País perderia também o acesso aos investimentos diretos estrangeiros, que no ano de 1998 somaram cerca de US$ 25 bilhões e que, neste ano de 1999, poderão chegar a US$ 20 bilhões. "Quero registrar que fiquei chocado com a defesa da centralizaçãao feita em editorial de primeira página por um grande jornal", disse Lopes aos senadores. "A centralização teria consequências nefastas", declarou. E completou: "Num regime de centralização, não se terá mais cartões de crédito para compras no Exterior, já tivemos essa experiência (da centralização) no Brasil, no passado, e é um regime de arbitrariedade total em que o governo decide quem deve e quem não deve receber dólares", afirmou Lopes. "A opção que fizemos é uma opção firme do presidente da República".
Lopes relatou que jantou ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso e que este reafirmou a disposição do governo de apostar no regime de flutuação do câmbio ei não de "Currency Board" ou centralização cambial. "Não farei centralização em hipótese alguma, isso não é uma opção, a opção é o regime de flutuação", declarou, categórico.Insistiu em que a opção feita é a da flutuação do âmbio. "Saímos do mercado de câmbio e deixamos que o mercado encontre o ponto de equilíbrio", explicou. Ele considerou "normal" que, neste primeiro momento de flutuação do câmbio, haja um "over- shootting" do merca do, deixando a taxa de câmbio no valor bem acima do que seria aceito se fossem levados em conta os fundamentos econômicos do País.

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