Central negará apoio a montadoras se preço subir mais de 5%
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 3 (AE) - A indústria automobilística corre o risco de perder seu único parceiro - os sindicatos de trabalhadores - na briga com o governo para continuar com impostos reduzidos. O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse hoje que vai tolerar reajuste de até 5% nos preços dos veículos, para compensar aumento de custos decorrentes da desvalorização do real. "Se houver um aumento maior do que este
estou fora deste lobby", afirmou. A indústria prevê que os aumentos serão, em média, de 10%.
Pereira informou que deixou de fazer contatos nos últimos dias e de trabalhar em favor da renovação do acordo de emergência, que reduziu o IPI no País e o ICMS em alguns estados. "Decidi esperar pela decisão das montadoras sobre reajuste para tomar uma posição." O acordo termina oficialmente amanhã (4), mas a redução do IPI ainda dura cerca de duas semanas e a garantia de emprego aos trabalhadores, até o final deste mês.
CUT - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, também está cauteloso sobre o comportamento de seu sindicato. Ele se reúne amanhã à noite com representantes dos trabalhadores nas montadoras para decidir o que fazer em favor da renovação do acordo, mas sem apoiar a postura do governo ou da indústria.
"Os dois lados estão sendo irresponsáveis", disse Marinho. "O governo não demonstra estar disposto a uma negociação e as montadoras se recusam a fazer uma trégua de duas semanas nessa questão dos preços." Para ele, a não renovação do acordo será a pior opção para o País, para o governo, para a indústria e principalmente para os trabalhadores.
O desemprego segundo Marinho, crescerá, com certeza, já que voltarão as pressões para enxugamento de quadros nas montadoras - teme-se a perda de até 5 mil postos diretos. Nas indústrrias de autopeças, o efeito também virá em cascata. Já as vendas de veículos, despencarão, afetando todo o comércio ligado ao setor. "O governo também vai perder arrecadação porque o volume de vendas será muito mais baixo", previu o sindicalista.


