Brasília, 22 (AE) - Uma central de risco positiva é um dos instrumentos que o governo conta para reduzir as taxas de juros cobradas de bons pagadores. Criada há dois anos, a central de risco está sendo reformulada. Segundo explicou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, a intenção é que, a partir de consultas à central, os bancos possam analisar melhor o crédito a ser concedido e cobrar menos por ele. "Isso pode reduzir a inadimplência", afirmou.
Controlada pelo BC, a central de risco funciona exatamente ao contrário de uma lista negra. Como é positiva, constar dela já será uma boa referência que o tomador de crédito poderá contar. Constarão da nova central todos os clientes de instituições financeiras que tenham tomado créditos a partir de R$ 20 mil e pago tudo em dia. Até agora, este valor era de R$ 50 mil. "Ampliamos para atingir maior universo de clientes", explicou o diretor de Normas, Sérgio Darcy.
A nova central de risco funcionará da seguinte maneira: no momento em que um cliente que consta de sua lista quiser fazer mais um empréstimo ou financiamento, o banco poderá acessar seus dados no Banco Central e verificar que ele é bom pagador. Com isso, além de cobrar uma taxa de juros mais baixa deste cliente, o banco também correrá menor risco de inadimplência.
E a inadimplência no Brasil é um dos itens que as instituições argumentam ser um dos pesos das taxas de juros. A demora em reaver o crédito também é outro fator. A partir de 1° de março estará em vigor o novo sistema de provisão dos bancos. Isso significa que os clientes das instituições financeiras serão classificadas em oito categorias diferentes considerando o período de atraso nos pagamentos. Mais um instrumento que os bons pagadores poderão usar para reivindicar taxas de juros mais baixas.

mockup