Central amplia processamento de raios
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sábado, 12 de novembro de 2005
Simone Menocchi<br>Agência Estado 
São José dos Campos- Começa a ser instalada na próxima segunda-feira, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em São José dos Campos, Vale do Paraíba, uma das mais modernas centrais de processamento de descargas elétricas do mundo. Esta é a sexta central a ser implantada no País, com um investimento no valor de US$ 400 mil, financiados por empresas e órgãos públicos quer formam a Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (Rindat).
Cada central abrange cerca de 350 quilômetros quadrados e todos os raios captados nesta área têm suas informações armazenadas e organizadas pelos equipamentos. ''O tipo, a intensidade, a localização, o tempo de duração e outras informações técnicas são captadas e catalogadas pelas centrais, permitindo um grande avanço nas pesquisas'', explicou o pesquisador e chefe do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe, Osmar Pinto Júnior.
O Brasil estuda mais profundamente o fenômeno há 26 anos, mas a primeira base de detecção foi instalada em 1988, em Belo Horizonte. As outras estão no Rio de Janeiro, Curitiba, Belém e Florianópolis totalizando 56 sensores que captam os relâmpagos ''A de São José dos Campos, que até sexta-feira estará pronta, ficará em comunicação com a do Rio de Janeiro, trocando informações e operando de forma integrada'' revela o pesquisador. Serão as duas únicas centrais a processar informações do país inteiro.
Por ano, caem no Brasil cerca de 50 milhões de raios, queimando milhões de equipamentos e causando pelo menos cem mortes. ''Estima-se que os prejuízos só no setor elétrico cheguem a R$ 500 milhões por ano''. De acordo com Pinto Júnior, além de possibilitar a qualificação dos tipos de raios, as centrais também permitem saber em que lugares das cidades ou dos bairros caem mais relâmpagos e as empresas podem fazer seus planejamentos para evitar prejuízos. ''Como por exemplo desligar uma placa eletrônica que custa cerca de US$ 100 mil e é muito fácil ser queimada por um raio, ou ligá-la a um gerador'', sugeriu.
Segundo o especialista, o maior desafio é completar a cobertura de detecção no País, já que na Amazônia ainda não há sensores. Apesar do desafio, o pesquisador acredita que a pesquisa sobre raios no Brasil já pode ser comparada com os estudos realizados em países como Estados Unidos e Japão.


