Centrais tentam evitar corte de empregos na Brahma e Antarctica
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 13 (AE) - Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical, que juntas controlam quase todos os sindicatos de trabalhadores da Brahma e da Antarctica no País, partem amanhã (14) para a luta com o objetivo de evitar o fechamento de cerca de 4 mil empregos diretos e a desativação de fábricas consideradas mais obsoletas - dez de um total de 50.
A estimativa do prejuízo de 25% dos postos de trabalho e de 20% das fábricas, após a fusão das duas empresas de bebidas, foi feita hoje pelo Secretário Nacional de Organização da CUT, Marcelo Sereno. Junto com o presidente da central, Vicente Paulo da Silva, Sereno tentará marcar amanhã audiência com a direção da Ambev - empresa resultante da fusão. A idéia é negociar um acordo nacional de preservação de empregos.
Enquanto isso, a Força Sindical, representada pelo deputado federal Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), será recebida pelo ministro da Justiça Renan Calheiros, para tratar do mesmo problema. Medeiros levará ao ministro documento pedindo garantias de que a fusão não termine sendo um bom negócio financeiro e um péssimo lance do ponto de vista social. A preocupação dele, como a da CUT, é o desemprego.
Sereno participou hoje de reunião com sindicalistas que representam 52% dos trabalhadores da Brahma e da Antarctica. Segundo ele, apenas entre 1990 e 1995 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou para o setor cervejeiro US$ 700 milhões. "Não é possível que agora o governo ignore isso e não exija nenhuma contrapartida social para a fusão", afirmou.
Vistas - O advogado Ericson Crivelli, convidado pela CUT para expor aos participantes da reunião os aspectos legais da fusão, informou que o primeiro passo para o movimento sindical será pedir vistas do processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça e, assim, conhecer a argumentação das empresas para justificar a fusão, que resultará em controle de mais de 70% do mercado de cervejas.
"O limite legal é de 30% de participação no mercado, mas existem exceções previstas pelo Cade", afirmou Crivelli. Outra recomendação do advogado é aproximação da central com as entidades de defesa do consumidor, que poderão interferir no processo em caso eliminação de marcas e fábricas - sinônimo de demissões - e de aumento de preços.


