São Paulo, 22 (AE) - As três maiores centrais sindicais do Brasil vão lançar no dia 17 de março uma campanha pela redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas, prevista na Constituição, para 40 horas. A mudança, segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos, Antonio Prado, criaria 1,7 milhão de empregos e beneficiaria 17 milhões de trabalhadores, ou seja, 70% dos 24 milhões de empregados formais do Brasil.
A campanha reuniu hoje, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Antonio Carlos dos Reis, e o secretário geral da CUT, João Felício.
Paulinho informou que no dia 1º de maio as centrais começarão a coletar assinaturas para uma emenda popular que mude a jornada de trabalho na Constituição. De acordo com Prado, o benefício da redução de jornada para criação de empregos é incontestável. "Em 1990, houve uma queda do Produto Interno Bruto brasileiro de 4% e mesmo assim o País criou 1,5 milhão de empregos", disse o economista. "Nenhuma teoria explica essa contradição, a não de ser de que a economia criou empregos porque estava se adaptando à redução de 48 para 44 horas do tempo semanal de trabalho, por causa da Constituição de 1988." Prado lembrou ainda que desde de 1992 a produtividade na indústria cresceu 50%, um salto mais do que suficiente para financiar uma nova redução de jornada, de acordo com ele.
Felício afirmou que os sindicalistas das três centrais vão procurar apoio de políticos e de entidades da sociedade. Segundo Paulinho, paralelamente a isso as centrais farão paralisações em empresas para forçar a negociação sobre jornada de trabalho.

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