São Paulo, 07 (AE) - A CUT e a Força Sindical vão se unir às montadoras para pressionar o governo federal a participar do projeto de renovação da frota. As duas centrais sindicais decidiram hoje enviar carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso solicitando uma audiência na próxima semana. Além disso, prepararam um calendário de manifestações que inclui carreatas, paralisações nas fábricas e manifestações.
Já as montadoras decidiram dar garantia de emprego aos funcionários caso o projeto seja aprovado. A informação, divulgada hoje pelo presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, ocorreu poucos dias depois de o Ministério do Desenvolvimento divulgar notícias de que o governo federal só estaria disposto a bancar benefícios para carros movidos a álcool, o que pode tornar inviável o programa de renovação.
Caso prevaleça essa opção, as montadoras não estão dispostas a dar garantia de emprego, uma reivindicação que vinha sendo feita pelos representantes dos trabalhadores desde o início das discussões do projeto, há mais de um ano.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que os metalúrgicos também pretendem discutir com Fernando Henrique um projeto específico para o setor sucroalcooleiro, além da implantação da jornada de 40 horas semanais e o contrato coletivo nacional.
Se o governo não estiver disposto a negociar, o presidente do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Guiba Navarro, afirmou que os protestos começarão no dia 26, com uma carreata que sairá da região do ABC e seguirá até a Capital. No dia 10 de maio estão previstas paralisações em algumas fábricas de São Paulo e uma manifestação em frente ao prédio da Secretaria da Fazenda. No dia 2 de junho, a intenção é realizar greves em todos os Estados onde há montadoras e fábricas de autopeças.
O projeto de renovação prevê a entrega de um bônus de R$ 1,8 mil para quem trocar o carro com mais de 15 anos por um mais novo movido a gasolina e de cerca de R$ 3 mil se a troca for por um modelo a álcool.
As montadoras calculam que o projeto resultaria na venda extra de 142 mil veículos no primeiro ano de benefícios. O bônus seria bancado conjuntamente pelos governos federal e estadual e pelas montadoras e revendedores.

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