São Paulo, 28 (AE) - As centrais sindicais prometem unir-se para lançar uma campanha nacional pelo aumento do salário mínimo. A decisão tomou maior fôlego depois que o ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu aos juízes federais, militares e do Trabalho, da ativa e aposentados, auxílio-moradia de até R$ 3 mil. "Se o povo não se mobilizar depois desse ato vergonhoso, vamos tornar-nos escravos", afirma o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
O presidente da Força Sindical disse que, possivelmente após o carnaval, as centrais irão se reunir para discutir qual o valor de reajuste de salário mínimo a ser reivindicado, além de estabelecer um cronograma nacional de mobilização. A central sindical defende um salário mínimo de US$ 100.
"Gostaria que o governo federal tivesse com os demais trabalhadores brasileiros a mesma sensibilidade que teve com os juízes", reclamou o presidente da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Antonio Carlos Salim. Ele disse esperar que o presidente Fernando Henrique Cardoso cumpra a promessa que fez durante a campanha eleitoral de 1994, na qual se comprometeu a dobrar o valor do salário mínimo da época, equivalente a US$ 65 .
Os sindicalistas admitem ter aprendido uma lição com o movimento vitorioso dos juízes. Salim acredita que as centrais sindicais somente terão sucesso na campanha pelo aumento do mínimo se tiverem a mesma unidade dos magistrados. A estratégia também foi elogiada pelo secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antonio Felício, para quem o sucesso obtido pelos magistrados se deveu à pressão da categoria junto ao governo federal e ao poder de organização dos juízes em todo o País. A CUT defenderá um mínimo de 180 reais. "Tenho certeza que o governo será tão generoso com os trabalhadores quanto foi com os juízes", ironiza Felício. "Esse auxílio-moradia serviu como um elemento estimulador para todas as categorias."
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, considerou "um absurdo" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar aos juízes garantindo à categoria auxílio-moradia de até R$ 3 mil. Para Lula, o Judiciário está agindo em causa própria. "É o caso, agora, de todo sem-teto do Brasil entrar com uma ação na Justiça reivindicando auxílio-moradia de R$ 3 mil", afirmou o líder petista. "Seria bom, inclusive, que essas ações caíssem nas mãos do ministro Nelson Jobim para ele julgar e dar pelo menos US$ 100 de auxílio-moradia para os sem-teto."
Lula disse ainda que a solução parece mais uma "atitude de covardia" do governo de Fernando Henrique para neutralizar a paralisação dos juízes. "Em vez de negociar a questão da greve, como cabe ao Executivo, ele deve ter empurrado essa saída para o Supremo Tribunal Federal", criticou.

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