Brasília, 19 (AE) - De nada adiantou o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, evitar a discussão sobre a indexação salarial e o reajuste do salário mínimo na reunião com os representantes das principais centrais sindicais, hoje de manhã. Durante o encontro, os sindicalistas reafirmaram a importância do reajuste para a preservação do poder de compra dos trabalhadores.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, por exemplo, prometeu lutar para um salário mínimo de R$ 180,00, garantindo, porém, que a Força Sindical não discutirá a indexação salarial enquanto a inflação não atingir 10%. "Quando a inflação atingir 10%, nós vamos lutar, de uma forma ou de outra, para a reposição da perda dos trabalhadores", ressalvou.
Já o representante da Central Única dos Trabalhadores, Marcelo Sereno, afirmou que a proposta da CUT é um aumento do salário mínimo para R$ 188,00 e reajuste de 10% nos salários. A CUT defende também um gatilho salarial, a partir de maio, toda vez que a inflação atingir 5%.
Mas o ministro Dornelles foi categórico: "Salário mínimo é um assunto que o governo só vai discutir nos últimos dias de abril", afirmou. Ele também foi contra a indexação salarial afirmando que qualquer forma de indexação é o pior inimigo do trabalhador.
De acordo com Dornelles, a bolha inflacionária, provocada pela desvalorização do real, "já está furando". "A inflação vai ser muito menor que a indicada no acordo com o FMI (16,8%). O governo não aceita qualquer cláusula de indexação", reafirmou.
Legislação - Não houve consenso entre os sindicalistas para a proposta do ministro, de modificar o artigo 7 da Constituição, permitindo que vários direitos dos trabalhadores como férias, 13º e FGTS sejam objeto de negociação. "O projeto está paralisado", declarou Dornelles, explicando que toda e qualquer modificação da legislação trabalhista tem que ser adotada por consenso. "Ou eles me convencem ou eu vou abacar convencendo-os."
Durante reunião de hoje com representantes das principais centrais sindicais, o ministro defendeu sua proposta afirmando que ela aumenta o poder dos sindicatos na negociação. Ele pediu às centrais encaminhem no prazo de 15 dias suas posições sobre as propostas de modificação da legislação trabalhista, já e ncaminhadas pelo governo ao Congresso Nacional.
Dornelles explicou que o governo não retirará do Congresso nenhuma das propostas já encaminhadas, mas que poderá "fatiá-las", para permitir que os itens de consenso possam ser votados rapidamente.
Emprego - O presidente da Força Sindical quer que o governo reative o Pró-Emprego-2, um programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinado ao financiamento de obras públicas e à geração de empregos. Segundo Pereira, esse programa está parado no BNDES.
O programa conta com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (R$ 3,5 bilhões), do próprio BNDES (R$ 2,5 bilhões) e a contrapartida dos tomadores de empréstimo.
O ministro garantiu que também levará ao presidente a posição dos sindicatos sobre o programa de renovação da frota de veículos, suplementação de recursos para qualificação profissional e sugestões para a agilização do Programa de Geração Emprego e Renda (Proger) e do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

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